Patrick Durusau, que foi editor do ODF 1.0 na ISO e que passou do silêncio tácito para dizer bem da Microsoft e do OOXML depois de uma visita a Seattle (mesmo ao lado da sede da Microsoft, em Redmond), critica o que chama de ataques pessoais utilizados na campanha pela subversão da ISO e aprovação do OOXML.
Estranhamente, vejo-me a concordar a sua crítica, à qual respondo da seguinte forma (em inglês estão os seus pontos):
1. Disparage the honesty (intellectual or moral) of others.
«Post este que me surpreendeu totalmente, já que em vez de levantar as questões no foro correcto, dentro da CT, prefere faze-lo publicamente no seu site com argumentos sem fundamento e sem provas.» — Marcos Santos, Microsoft
Todas as questões que levantei, fi-lo também nas reuniões da CT-173. Todas as acusações “alegadamente sem provas” são afirmações do género: “o céu, num dia claro e sem nuvens, é azul”.
2. Disagreement with you is always the result of evil plans and designs.
«A campanha Anti Open XML continua em grande força!» — Marcos Santos, Microsoft
3. Compromise is just another word for cowardice.
A Microsoft e companhia lutou até à morte contra várias alterações, como por exemplo a documentação do autoSpaceLikeWord95. Ao fim e ao cabo, acabou por ser documentada. Em vez de aceitar o compromisso, fazem de conta que não estavam contra isto e congratulam-se por uma resposta dada. Isto é covardia. E pensar que o Stephen McGibbon dizia que esta etiqueta podia ser medida com uma régua em cima do écrã…
4. Rules should be followed, but only when to your advantage.
O documento de regras a seguir neste processo, as JTC1 Directives 3.0, diz que os comentários técnicos devem seguir junto com uma aprovação condicional. A aprovação condicional é definida como “DISAPPROVAL WITH [technical] COMMENTS”. A Microsoft fez campanha e teve algumas colaborações estranhas de entidades que deviam ser idóneas, para parecer o contrário.
A BRM não discutiu 82% dos comentários, optando por uma regra ad-hoc para passar por cima da evidente dificuldade de lidar com a quantidade de comentários (uma proposta enviada via Fast Track não deveria ter tanta coisa pois já deveria estar madura e grandemente aceite, internacionalmente).
5. Chairs, conveners, editors, should be serve only so long as their views agree with yours.
- A Microsoft preside à CT-173.
- A Microsoft foi o Chefe da Delegação enviada por Portugal à BRM.
- O “Convenor” da BRM, Alex Brown, está a prestar consultoria sobre OOXML a uma Biblioteca, que deu apoio ao OOXML.
6. People change positions but only by selling out.
Patrick Durusau, que foi editor do ODF 1.0 na ISO, passou do silêncio tácito para dizer bem da Microsoft e do OOXML depois de uma visita a Seattle, mesmo ao lado da sede da Microsoft, em Redmond. Por vezes publica os seus textos a favor do OOXML e da Microsoft com diferenças de minutos dos bloggers pagos pela Microsoft.
7. People who agree with your opponents are clones/whores/lackies.
«Por outro lado, o FFII, neste processo não é uma entidade imparcial, pois têm sido um dos grandes orquestradores da campanha Anti-Open XML. Basta ir à primeira página: http://www.ffii.org/.» — Marcos Santos, Microsoft
8. People who agree with you are besieged servants of truth, justice and human rights.
«Caro tim, Concordo totalmente e só posso dizer que foi lamentável e totalmente desnecessário esta situação dos ataques pessoais. Não conhecia a carta que enviou mas a lista de nomes envolvidos é impressionante dada a importância das pessoas envolvidas. Totalmente desnecessário…» — Marcos Santos, Microsoft
9. Never forget past transgressions, both real and imagined.
«Caro tim, Concordo totalmente e só posso dizer que foi lamentável e totalmente desnecessário esta situação dos ataques pessoais. Não conhecia a carta que enviou mas a lista de nomes envolvidos é impressionante dada a importância das pessoas envolvidas. Totalmente desnecessário…» — Marcos Santos, Microsoft
10. Remember to always point out the failures of others.
«O Presidente da CT é da Microsoft, tal como o presidente da CT Italiana é da IBM. É irrelevante.» — Marcos Santos, Microsoft
Não é irrelevante, é apenas ligeiramente menos mau que uma empresa ser presidente de uma CT que está a analisar um formato proposto por si, ainda por cima com voto de qualidade. É mais que claro o conflito de interesse.