Tribunal de Contas + Microsoft = Administração Pública sob Vendor Lock-in
Algumas pessoas que contactaram o Tribunal de Contas solicitando explicações para este estar a forçar a Administração Pública a ser cliente da Microsoft, fizeram-nos chegar a sua resposta oficial. Tratando-se de informação pública, apresento aqui uma das respostas (e devido a experiências anteriores suspeito ter sido a mesma para todos os que o contactaram), comentada.
O resumo para quem não quiser ler tudo, é que obrigam a Administração Pública a ser cliente da Microsoft porque:
- o seu departamento de TI junto com o CPC acham que é a melhor forma
- estão convencidos de que se tratam de normas abertas
- utilizam Microsoft
- o Open Document Format é um formato minoritário perante os formatos da Microsoft
- nunca foram criticados antes
- o que está em causa é não ter sido utilizado o Open Document Format
A justificação apresentada poderia ser perfeitamente válida não estivesse ela assente sob falsas premissas e evidências de desconhecimento tecnológico, sobretudo no sentido de evitar dependências de fornecedores específicos, tendo como resultado prático a imposição desses mesmos fornecedores específicos sobre a restante Administração Pública.
Ou seja, está efectivamente em causa a independência do Tribunal de Contas, uma vez que está tão dependente das tecnologias da Microsoft que a única solução que tem é forçar aqueles que interagem consigo a também serem clientes da Microsoft.
From: Joao Cardoso
Date: 2009/3/23
Subject: RE: Questão relativa aos ficheiros do “Questionário sobre avaliação da gestão dos riscos de corrupção…”Exmos. Srs.
O Senhor Director-Geral do Tribunal de Contas e, por inerência, Secretário-Geral do Conselho de Prevenção da Corrupção incumbiu-me de dar a resposta à mensagem de V. Exa., a qual mereceu a nossa melhor atenção e que faço nos termos seguintes:
Foram enviadas, por duas vezes, para a caixa de correio de recepção do Questionário do CPC, mensagens de correio electrónico pondo em causa a escolha dos formatos de armazenamento e representação de informação seleccionados para suportar a recolha de dados inerente ao seu preenchimento. De forma sucinta, as questões levantadas dizem respeito aos seguintes aspectos:
- A escolha de um formato de dados supostamente proprietário para disponibilização do questionário (o formato XLS do programa Microsoft Excel).
- A escolha de um formato intermédio de representação de dados (XML) numa versão que obedece a regras de transformação dependentes de um programa específico (o referido Microsoft Excel).
- A dependência, gerada pelos pontos 1. e 2., de um programa específico, Microsoft Excel, software comercial, licenciado, não gratuito.
- O facto de serem ignorados outros formatos de codificação de informação existentes, devidamente normalizados (no sentido em que são suportados por uma norma ISO) ou associados a software livre.
Apraz esclarecer o Tribunal de Contas que o formato do Microsoft Excel não é supostamente proprietário, é efectivamente proprietário, sendo detido e controlado única e exclusivamente pela Microsoft. Quanto aos pontos 3 a 4, não há nada a criticar. Constataram quase correctamente o que se criticou.
Mas a verdade impõe que se saliente que faltou ainda um 5º ponto: a obrigatoriedade da Administração Pública ser cliente da Microsoft para responder ao inquérito.
De todas estas questões, ressalta uma conclusão: o Tribunal de Contas estaria a servir os interesses comerciais de uma empresa de informática – a Microsoft – obrigando todas as entidades envolvidas na resposta ao questionário à utilização do software dessa empresa (o programa Excel). Esta obrigação estaria em clara contravenção aos ideais de utilização do software livre, fazendo também tábua rasa de directivas europeias no sentido de serem utilizados formatos de codificação, armazenamento e apresentação de informação devidamente normalizados e de natureza não proprietária. Esta situação foi já publicitada em diversos web sites, com mais ou menos destaque, mas sempre com o mesmo enquadramento:
- No Blog do Software Livre [1]
- No web site da Associação Nacional de Software Livre (ANSOL)[2]
- No blog O Vigia [3].
Para além de estar a ser posta em causa a independência do Tribunal de Contas, está também a ser posta em causa a sua competência técnica, no que diz respeito à escolha de formatos e tecnologias para lidar com este processo de recolha de informação. Na medida em que a segunda questão está a influenciar, de forma determinante, a primeira, cumpre-nos fazer alguns comentários.
Esta obrigação estaria em clara contravenção da legislação nacional e europeia. E basta.
A independência do Tribunal de Contas não é posta em causa pelos artigos referenciados (e por acaso são dois e não três uma vez que o segundo é uma referência ao primeiro), nem porque as condições em que apresenta o inquérito obrigam a Administração Pública a ser cliente da Microsoft.
A dependência do Tribunal de Contas em tecnologias da Microsoft está assumida e declarada oficialmente neste email.
O favorecimento da Microsoft está declarado oficialmente neste email (ler mais abaixo para perceber porquê).
O processo de recolha de informação.
Na sequência da Deliberação que aprovou a disponibilização do questionário, o DSTI articulou com o CPC a melhor forma de proceder à recolha e ao processamento de informação. Foram estabelecidas as várias etapas:
- Disponibilização do questionário no web site do CPC;
- Recepção de pedidos de acesso;
- Fornecimento de credenciais aos utilizadores;
- Recepção de ficheiros XML com o conteúdo das respostas;
- Processamento dos ficheiros XML (carregamento de bases de dados).
Esta descrição do “processo” é de uma gravidade tremenda. Não só Parece desenhado para se encaixar com a solução.
como assume categoricamente o favorecimento directo e explícito da CPC, que até está fortemente associada à Microsoft. [nota: confusão com a CPCIS, foi um erro].
Ignorando isso tudo, e analisando apenas do ponto de vista tecnológico, esta solução é diversas ordens de grandeza mais complexa, menos eficiente e mais cara do que um formulário on-line, recorrendo às normas abertas da Internet, e que não acarretaria qualquer imposição de fornecedores específicos, salvo incompetência técnica.
Ficou a cargo do DSTI a selecção das tecnologias envolvidas, tendo em conta o formato do questionário (XLS). Este formato começou por ser proprietário, específico do programa Microsoft Excel, em todas as versões do pacote de aplicações Office desde o Office 97 ao Office 2007. Hoje, a sua especificação está devidamente publicada [4] e é de utilização livre, ao abrigo de uma licença do tipo Open Specification Promise [5]. Ou seja, na prática, muito embora a Microsoft continue a deter direitos sobre o formato e a licença impeça a alteração das suas especificações, estas podem ser utilizadas livremente por qualquer utilizador que pretenda a sua integração programática nas suas próprias aplicações. O facto de se tratar, provavelmente de um dos formatos mais utilizados no mundo para dados de natureza numérica, ou dados textuais intensamente estruturados, torna extremamente útil esta facilidade de acesso.
O formato do Excel continua ser proprietário. Não começou e deixou de ser. Começou e continua a sê-lo. Não é de implementação livre, está sujeito a patentes da Microsoft, e a Open Specification Promise é de fortemente dúbia legalidade.
Para além das questões legais, depende de uma série de referências não documentadas (conhecidas como ‘blobs’ embora não sejam sequências de caracteres não-imprimíveis), cujo acesso existe apenas para a Microsoft.
Outro ponto em que deixa uma séria dúvida sobre a capacidade legal do Tribuna de Contas para emitir tais afirmações, é a afirmação de que está «ao abrigo de uma licença do tipo Open Specification Promise». A OSP não é uma licença, nem sequer uma classe de licenças. É só uma promessa de dúbia legalidade.
Não há um único estudo legal que diga que a OSP é adequada a implementações de Software Livre. De facto, não só quem profissionalmente lida com estas matérias, o Software Freedom Law Center, considera que a OSP é de evitar por não oferecer garantias para a maioria do Software Livre, como também o único “estudo” (se assim se pode chamar) encomendado pela CT-173 (à sociedade de advogados PLMJ) não focou nenhuma das preocupações.
Esse “estudo” foi completamente desvirtuado uma vez que foi feita uma pergunta, e a PLMJ não só não respondeu a essa pergunta, como inventou uma nova pergunta à qual ela própria respondeu. Evidentemente esta pergunta inventada encaixava-se que nem uma luva na agenda da Microsoft. Porquê?
A conversão dos dados para XML é uma etapa destinada a facilitar a última etapa de processamento da informação, o carregamento das bases de dados.
Existem formas tecnologicamente triviais e utilizadas desde antes de sequer existir o XML: formulários em páginas Web, onde o programa que recebe esses dados, os coloca imediatamente na base de dados.
Na escolha dos formatos e tecnologias optou-se pela utilização de meios já existentes no TC: o programa Excel para desenvolver o questionário, o formato XML para utilização fácil de procedimentos de conversão de dados já muito bem estudados, bases de dados suportadas por SQL Server (o Sistema de Gestão de Bases de Dados em produção no TC). Com estas escolhas tornou-se possível minimizar o tempo de desenvolvimento da solução completa de processamento de dados, assim como aproveitar ao máximo o know-how já existente.
Eis onde sobressai a dependência do Tribunal de Contas para as tecnologias Microsoft. Como não sabem mais nada, ignoram todas as medidas mais eficientes, mais baratas e que não imporiam qualquer fornecedor específico.
Ignorância + Vendor Lock-in = Imposição de fornecedores específicos.
Mas o “insulto” tecnológico não se fica pela mera cedência de poder que o Tribunal de Contas faz para a Microsoft.
Outras opções existentes.
A principal crítica apontada ao TC diz respeito à escolha do formato XLS, específico do programa Microsoft Excel. Em alternativa é aconselhada a utilização do formato ODF (Open Document Format), um formato de codificação e armazenamento de dados para aplicações do tipo Office, de natureza não-comercial, de especificação aberta [6] e publicado como standard ISO (ISO/IEC 26300:2006).
A principal crítica apontada ao Tribunal de Contas não é esta. A principal crítica consiste na obrigatoriedade que impõe à Administração Pública de ser cliente da Microsoft.
Seria muito bom que utilizassem um formato que seja efectivamente uma norma aberta. Seria o racionalmente correcto. Mas não utilizar o ODF está longe de ser a principal crítica.
Sem colocar em causa o papel e a importância dos formatos standardizados, não considerámos utilizar o formato ODF por duas razões:
- Ainda é um formato minoritário no seio das organizações que utilizam aplicações do tipo Office, no universo das entidades envolvidas no processo em causa (resposta ao questionário).
- As aplicações de Office utilizadas no TC – as do Microsoft Office – ainda não suportam este formato nativamente. Muito embora seja possível adicionar-lhes essa capacidade, o esforço de operacionalização envolvido (em termos de instalação de software e aprendizagem das especificidades de um novo formato) não iria ao encontro das necessidades de rapidez de processamento desejadas neste caso específico.
Se o primeiro ponto se apresenta como uma desistência de resolver o problema do ovo e da galinha, não consiste num motivo para não utilizar o formato ODF. No mínimo deveriam suportar a troca de documentos nesse formato, uma vez que o ODF é o único formato de documentos do género que não implica um fornecedor específico.
É perfeitamente compreensível que a Microsoft não suporte o Open Document Format. Não é do seu interesse fornecer aos seus clientes meios que lhes permitissem escolher as ferramentas que prefiram. Como é bem conhecido, o Microsoft Office é uma das principais fontes de rendimento da Microsoft. Suportar um formato standard que é o formato nativo daquele que é o seu maior concorrente só mesmo quando obrigados, e de preferência com pouca qualidade.
A situação real
Consideramos paradoxal ter que recorrer a software de terceiras partes (como o plug-in da Sun para Microsoft Office 2007 [7]), para operacionalizar o uso de um formato de codificação e armazenamento que, pese embora o facto de ser normalizado, aberto e gratuito, ainda só é utilizado por uma minoria de utilizadores. A estrutura de processamento de dados montada para processar a informação recolhida através do inquérito recorre a tecnologia já existente na rede informática do TC, a qual já foi utilizada com sucesso (e sem críticas, note-se) em múltiplas ocasiões anteriores de recolha de dados, com procedimentos fundamentalmente idênticos (disponibilização de um ficheiro XLS, envio posterior de um ficheiro por e-mail para o TC). Parece-nos contraproducente alterar fluxos de trabalho e instalar funcionalidades aplicacionais novas só para ir ao encontro das necessidades potenciais de uma quantidade mínima de utilizadores.
Ou seja, é muito incómodo para o Tribunal de Contas suportar o ODF porque consideram «paradoxal ter que recorrer a software de terceiras partes». Contudo já não consideram paradoxal obrigar a Administração Pública a ter que recorrer a software de terceiras partes, o que será o caso para qualquer órgão da AP que não seja cliente nem pretenda vir a ser cliente da Microsoft.
Como segunda apresentação da “situação real“, alegam que já foi «utilizada com sucesso (e sem críticas)». Certamente quando não se tem conhecimento da existência de um problema, ele pode lá estar até ter consequências graves. Neste caso o Tribunal de Contas não estava ciente de que estava a favorecer fornecedores específicos, mas agora está. Só que em vez de prometer melhorar de futuro, defende que fez bem.
Esta última consideração pode, à primeira vista, parecer injusta para com os potenciais incluídos nessa minoria, dando a ideia de estar a ser levada a cabo uma tentativa deliberada de os excluir deste processo. Concorde-se ou não, o que é facto que as aplicações de Office gratuitas e os formatos normalizados estão à disponibilização de todos e são de instalação livre. É natural que se tornem numa realidade progressivamente incontornável. No entanto, o que está em causa neste momento é, muito simplesmente, uma escolha técnica, objectiva, de um formato específico de codificação e armazenamento de informação (XLS), cujo uso está devidamente integrado nas práticas correntes da instituição, para levar a cabo uma determinada tarefa. Contrapõe-se a isto a possibilidade de ser utilizado um formato de funcionalidade idêntica, mas de natureza aberta e normalizada (ODF). Como veremos a seguir, a escolha de um em detrimento do outro não constitui, de forma alguma, um factor de exclusão tecnológica, ou de favorecimento comercial.
Esta última consideração consiste no assumir o favorecimento de fornecedores específicos. A argumentação de “escolha técnica, objectiva” pretende maquilhar o favorecimento com uma argumentação técnica sem qualquer defesa possível. Repita-se: há formas mais eficientes, mais económicas e que não impõem a escolha de fornecedores específicos.
A partir do momento em que são impostos fornecedores específicos, há favorecimento comercial, e a partir do momento em que são impostos formatos proprietários há exclusão tecnológica. Negar categoricamente estes factos é extremamente revelador.
Não considerámos a utilização do formato ODF por um conjunto de razões:
- O formato XLS está mais divulgado e tem mais aceitação (do ponto de vista aplicacional) que o formato ODF.
- As aplicações que utilizamos para operacionalizar este processo de recolha e processamento de dados (nomeadamente o Microsoft Excel) não dispõem, nas versões instaladas no TC, de filtros de leitura e escrita para o formato ODF. Mais do que procurarmos uma solução normalizada mas pouco divulgada, optámos por implementar rapidamente uma solução tecnicamente viável e com provas já dadas noutras ocasiões.
- Do ponto de vista da divulgação para o exterior, poder-se-ia levantar uma questão específica – ao optarmos pelo formato XLS, estaríamos a obrigar ao uso do pacote de aplicações Office da Microsoft. No entanto, o facto é que qualquer programa que consiga editar o formato ODF, também pode ler e escrever ficheiros XLS. Isto é válido quer para outras aplicações do tipo Office, em ambiente Windows ou Linux, quer para editores on-line, como o Google Docs. A este nível, o problema da compatibilidade torna-se numa falsa questão.
Verdade de La Palice: o formato do fornecedor específico e detentor de monopólio no mercado «está mais divulgado e tem mais aceitação do ponto de vista aplicacional». Se isto não é um exemplo categórico de constatação do óbvio, não sei o que o será.
O facto de utilizarem o Microsoft Excel e este não ter filtros para o formato ODF, não é motivo para obrigar a Administração Pública a ser cliente da Microsoft. O que consideram uma “solução tecnicamente viável e com provas dadas” é uma solução que é mais cara, menos eficiente e que obriga a escolha de fornecedores específicos.
Por fim, tendo em conta que o formato do Microsoft Excel depende de informação secreta e muita dela sujeita à dificuldade da engenharia reversa, alegar que “o problema da compatibilidade torna-se numa falsa questão” pretende denegrir a crítica, relegá-la à devida posição, do ponto de vista do Tribun al de Contas. Existem sempre diversas condições onde esta compatibilidade não existe ou implica uma formatação incorrecta, levando à rejeição pela parte dos utilizadores. Apenas porque o “grosso” da informação se recupera, está longe de negar o problema.
Resta ainda tecer uma consideração sobre a etapa final do processo, nomeadamente a preparação do ficheiro a devolver ao CPC. Nas instruções pedimos para ser feita a gravação em formato XML, utilizando opções de exportação específicas de versões do Office da Microsoft. Tal pedido tem por objectivo facilitar o trabalho de processamento final da informação recolhida, na medida em que permite agilizar os processos inerentes ao seu tratamento e importação para bases de dados, garantindo a criação de um ficheiro XML bem formado.
Mais uma prova de Vendor Lock-in. E aqui o Tribunal de Contas volta a confirmar a obrigatoriedade do fornecedor específico: «utilizando opções de exportação específicas de versões do Office da Microsoft». Opta por um processo mais complicado (chamando-lhe facilitar e agilizar), e ainda por cima comete uma grave gaffe técnica:
O formato do Microsoft Office não é XML (Extensible Markup Language, norma aberta do W3C). O formato produzido pelo Microsoft Office não valida XML de forma correcta.
O DSTI optou por aquele que considerou ser o melhor formato para as sequências de processamento envolvidas, tendo em conta a capacidade tecnológica da instituição e os custos indirectos inerentes a uma adaptação tecnológica (software de terceiras partes). A opção por um formato diferente, muito embora possível, viria a revelar-se tecnicamente mais trabalhosa pelo simples facto de, internamente, não serem utilizadas quaisquer aplicações que saibam lidar com ele. O investimento na sua operacionalização (instalação do software relevante, preparação dos operadores humanos, redefinição de sequências de processamento de informação para carregamento em base de dados) não compensaria, nesta fase, as eventuais vantagens obtidas.
O DSTI indicou neste email uma sequência de processamento que parece desenhada para definir a solução. Continua a insistir na defesa da opção de não utilizar o ODF, continuando a colocar de parte o favorecimento de fornecedores específicos. Esse é que é o cerne da questão.
Desta forma, consideramos inteiramente válida a escolha do formato XLS como base para a apresentação e preenchimento do inquérito, bem como a escolha do formato XML para a sua entrega. Esta abordagem, estes formatos e estes procedimentos garantem as melhores condições de recolha e posterior processamento de dados, com o fim último da sua inserção em base de dados.
Desta forma, o Tribunal de Contas:
- confirma o favorecimento de fornecedores específicos;
- confirma a utilização de uma abordagem menos eficiente, mais cara e que favorece fornecedores específicos
- não garante as melhores condições de recolha e posterior processamento de dados.
Até se pode acrescentar que este processo de recolha e posterior processamento de dados parece ser um padrão com determinadas tecnologias da Microsoft, exemplo em causa o site que a Microsoft desenvolveu para ser o portal dos Ajustes Directos, o Base.
Tal e qual como no cenário apresentado pelo Tribunal de Contas, no caso do Base deve-se descarregar um documento em formato da Microsoft, para posterior processamento de dados. Faz lembrar algo, não faz?
Com os melhores cumprimentos,
João Carlos Cardoso
[1] Disponível no endereço em http://blog.softwarelivre.sapo.pt/2009/03/19/tribunal-de-contas-obriga-ap-a-ser-cliente-microsoft/.
[2] Disponível em http://ansol.org/.
3 Disponível em http://ovigia.wordpress.com/2009/03/21/mais-uma-obrigacao-do-uso-de-software-da-microsoft-por-ca-na-holanda-ministro-acusado-do-mesmo/.
4 Especificação disponível para download a partir do endereço http://download.microsoft.com/download/0/B/E/0BE8BDD7-E5E8-422A-ABFD-4342ED7AD886/Excel97-2007BinaryFileFormat(xls)Specification.xps.
5 O teor desta licença está disponível em http://www.microsoft.com/interop/osp/default.mspx.
6 Especificação disponível para download a partir do endereço http://www.oasis-open.org/committees/download.php/12572/OpenDocument-v1.0-os.pdf.
8 Plug-in disponível para download a partir do endereço disponível em http://www.sun.com/software/star/odf_plugin/. Trata-se de um componente que é necessário instalar em todas as máquinas que tenham Microsoft Office e que tenham que aceder a ficheiros nos formatos ODF.
Assim sendo, a pergunta impõe-se: a quem se apela no caso do Tribunal de Contas?
Categoria: Notícia | 29 comentários »
Temas: Administração Pública, Lock-in, Monopolsoft, OOXML Assim Não!



Não quer mudar o nome do site … em vez de Software Livre poderia ser Anti-Microsoft. Não consigo ver um comentário equilibrado seu, caro Rui. Não consigo ver nada positivo sobre software proprietário…
O que é que isso tem a ver com o favorecimento de fornecedores específicos pela parte do Tribunal de Contas, com consequências imediatas e directas para toda a Administração Pública portuguesa?
Já agora, quando o problema do software proprietário é que remove direitos fundamentais dos utilizadores, como pode o Xavier estar à espera de ver algo positivo sobre software proprietário neste blog? Tsk tsk tsk.
Há aqui algo que não entendi, ou se calhar entendi bem demais e acabei por não entender hehe.
Pondo de parte o uso de um formato proprietário, que acaba por ser bem caro, todo o processo parece-me que não tem nenhum sentido para os tempos que correm. Pelo que percebi, quem tem de usar este serviço o que tem de fazer é entrar num determinado site, baixar um ficheiro que contém um formulário, preencher esse formulário e enviar esse ficheiro, esse ficheiro será posteriormente recolhido, convertido para xml para depois passar esses dados para uma base de dados, e digo eu, chamam a isto de agilizar?
Não seria melhor colocar o formulário online e que, uma de duas, os dados seriam convertidos automaticamente para um ficheiro xml para que depois os pudessem colocar numa base de dados que bem entendessem ou seriam colocados directamente numa base de dados, não seria assim mais fácil, ágil e barato e ao mesmo tempo não obrigavam ninguém a usar um software proprietário?
Estes senhores querem enganar quem? Ou sou eu que estou a ver a coisa mal?
Seria mais fácil colocar o formulário online, mas o processo que eles têm consiste em:
Como este processo é mais “fácil e ágil” do que um formulário web, é que é totalmente incompreensível.
@Xavier
Acho que quem é visado aqui é o Tribunal de Contas e não a Microsoft directamente. Se para preencher o inquérito fosse preciso uma ferramenta da Primavera, da Oracle ou outra de um vendedor específico a mesma questão se colocaria.
Hehe… 6 “simples” passos.
Ficámos a saber que há mentes brilhantes no TC… dificilmente conseguiriam complicar mais o processo sem voltarem ao papel
@Rui,
Claro que era melhor e mais fácil colocar o formulário online e se assim fosse não era exigido ao utilizador ter mais do que um simples web browser.
O método escolhido é barroco e pouco eficaz… e obriga comprar a uma marca específica.
Sou um Astroturfer
Honestamente… acham que faz sentido preencher online um questionário com dezenas ou centenas de linhas? O preenchimemto offline faz sentido às vezes, sobretudo quando a coisa é complexa e sujeita a interpretações. Além disso, alguém se deu ao trabalho de LER as instruções? Não vi lá qualquer referência à gravação em XSLX, mas apenas gravação em XML.
Também acho piada à vossa noção implícita de escolha e de liberdade. Uma instituição não tem a liberdade de escolher o formato que mais lhe convém. TEM QUE escolher um formato livre, senão está vendida à Microsoft (sou só eu o único a notar a dissonância que isto provoca?).
Vai ser giro se no fim disto tudo o TC apresentar algumas estatísticas quanto à forma como o processo decorreu. Pode ser que aí haja algumas surpresas. Desculpem a ignorância, mas alguém sabe qual é o grau efectivo de aceitação e utilização dos formatos abertos na administração pública? Dispensa-se desde já a demagogia…
boas a todos,
um formulário online apresentaria em principio dois problemas para a panelinha Estado Português, ou alguns decisores desse mesmo Estado e a microsoft.
1º era mais dificil obrigarem ao lock in usando formatos proprietários e fechados da ms
2º mesmo que usassem tecnologia fechada e proprietária da microsoft, devem ter pensado que obteriam ainda mais criticas, é que na web é ainda mais ridiculo fugir à interoperabilidade e usar produtos que fomentem o lock in, embora como se sabe com diversos casos, isso é mais que usual.
acho que este é mais um caso para aparecer internacionalmente, na OSOR no boycottnovell e até eventualmente a ESOP o usar para mais uma queixa à UE.
@Leonardo:
Sim.
Nada impede que o preenchimento não possa ser submetido apenas quando a pessoa quiser, podendo fazer logout e login várias vezes.
Talvez não saibas, mas aquilo que eles chamam de “XML” (que não o é), é o formato “xml” da Microsoft, ou seja, o XSLX.
Curiosamente, eu salientei várias vezes que o problema é a imposição de fornecedores específicos e não a não-utilização de um formato livre.
A tua confusão advém de pensar que escolher um formato proprietário é uma “liberdade”. Mas quando isso impõe escolhas sobre terceiros, diz-se uma imposição.
E é isso que está a ser criticado, melhor explicado por alguns que por outros.
Não vão surgir nenhumas surpresas. Se as instituições são obrigadas a responder, e o Tribunal de Contas não corrigir a sua atitude de ilegalmente favorecer fornecedores específicos, é notório que as instituições vão ser obrigadas a serem clientes da Microsoft.
Isso é argumento para quê? Pela mesma lógica também se acabava com o suporte para pessoas que necessitam de cadeira de rodas, uma vez que o grau de “aceitação e utilização” é extremamente baixo.
Este processo não é barroco… É estúpido a um nível incompreensível.
Ora vejamos.
1) Formulário online
2) Dados “em bruto” numa base de dados primária
3) Dados processados para irem correctamente para uma base de dados final, ou lá para onde quisessem por os dados.
Onde é que isto iria necessitar de mais recursos humanos?
A solução que o TC propõe é de tal forma estranha que só me faz pensar uma coisa: já fizeram assim uma vez, e só sabem fazer desta forma… Qualquer outra forma implica mais trabalho, e isso concerteza não o querem fazer…
[...] enviei, foi baseado no conteúdo que também o Diogo havia remetido com um pedido de explicações.No blog do Software Livre debate-se este tema, e está lá a resposta no mínimo estranha e até arrogante do [...]
“Também acho piada à vossa noção implícita de escolha e de liberdade. Uma instituição não tem a liberdade de escolher o formato que mais lhe convém. TEM QUE escolher um formato livre, senão está vendida à Microsoft (sou só eu o único a notar a dissonância que isto provoca?).”
ó leonardo e não acha estranha que a empresa que é sempre beneficiada com essa sua “liberdade de escolha” seja sempre a mesma?
O que aqui está exposto é antes de tudo sinónimo de uma enorme incompetência técnica, resultante da enorme ignorância dos decisores técnicos e políticos que obrigam (e que ao mesmo tempo são vítimas) de uma imposição tecnológica sem sentido quando considerado o binómio custo/benefício. Quando comparado com o que se passa noutros países da União Europeia, ou mesmo nos EUA e Brasil, é de lastimar uma situação que resulta de um enorme atraso (diria mesmo que mental… rsrsrsrs) e que só demonstra o verdadeiro país de terceiro mundo que hoje ainda somos.
Quem não percebe isto é porque não entende o cerne da questão: “Vendor Lock In” = “monopólio” = “custos e dependência excessiva de um determinado fabricante” (não tem que ser obrigatoriamente da Microsoft, se bem que esta tenha sido até hoje um dos melhores exemplos neste domínio).
Acho interessante que para já quem montou esse grande “sistema” diz que “é chato ‘tar a instalar plugins”, mas todas as versões do office que não o 2007 que eu saiba precisam delas para gravar em xlsx.
Depois, não estou mesmo a ver qual é o problema de suportarem _ambos_ os formatos: tanta lenga lenga de minorias e tal e de toda a gente ter que instalar plugins odf e whatever. E que tal quem quiser entrega em odf, e depois vocês fazem o que quiserem? Se é tão fácil fazer conversões e edições como dizem (para o end user, para eles parece “totalmente impossível”), não vejo qual o problema. E mais… se é assim uma minoria tão pequena que quer usar odf, não vai haver grande problema em fazer um pequeno número de conversões.
Finalmente, o próprio facto do download ser feito num formato e o upload no outro revela que têm um sistema estranho, provavelmente resultado do facto de que eles próprios não conseguem facilmente abrir o raio do XLS que produziram. E esta hein…?
Sou um Astroturfer
Não quero que pareça que estou a insistir de forma parva nas mesmas coisas, mas alguns dos argumentos que por aqui voam de um lado para o outro parecem-se, no mínimo, com afirmações do género “porque sim!”.
Perdi o meu tempo a contactar um amigo meu que trabalha para o Estado, num organismo obrigado a responder ao questionário. Pedi-lhe uma cópia para olhar lá para dentro e simular outputs. Gravei um ficheiro XML como as instruções deles indicam. Aquilo *é* XML legível, e até valida como tal em serviços de validação online (do ponto de vista sintático). O ficheiro que é assim obtido *não é* XLSX, por mais do que seja dito aqui. O XLSX é um formato binário. O XML obtido a partir do Office 2007 não é.
Gostava também que me explicassem em que artigo de que lei é que é dito que é ilegal disponibilizar para download documentos em formato XLS. Isso é genérico para todo o tipo de downloads, ou apenas para os que são disponibilizados por organismos do Estado? Não estou a dizer isto com ligeireza. Acho que antes de se tecerem considerações sobre determinadas atitudes, importa averiguar a legitimidade de as fazer.
Da última vez que olhei para os produtos, qualquer versão das muitas aplicações de Office (pagas, gratuitas ou online, para Windows, Linux, Mac ou coisas mais estranhas), conseguia abrir ficheiros XLS. Da mesma maneira, conseguia fazer outputs em XML. Suponho que o XML resultante de uma gravação deste inquérito poderia ser usado como solução de recurso.
Interoperacionalidade não é um palavrão. É saber lançar mão de todas as ferramentas à nossa disposição para levar a cabo uma determinada tarefa. Volto a bater na mesma tecla – assusta-me a ideia que vejo aqui a ser acerrimamente defendida em como o bom ecosistema informático é aquele que assenta em formatos abertos e livres. Assusta-me porque essa ideia está a ser defendida sem opção – ai de quem sugira usar um formato proprietário, porque está a soldo do seu criador.
Não pensem que não me preocupo com a persistência dos formatos e da informação neles contida. Qualquer formato de armazenamento pode morrer. Quanto mais proprietário for, mais hipóteses há para que isso aconteça. Mas negar à partida a possibilidade de uso de um formato só porque vem de um fabricante odiado, parece-me a abordagem errada. Defender com unhas e dentes os formatos livres, negando as capacidades de outros proprietários, ainda pior. Já agora, que tal passarmos a gravar todas as nossas imagens em JPG ou JPG2000, em vez de usarmos coisas como o Photoshop? O formato deste último é altamente proprietário, logo tem que ser mau. No entanto, o facto de ser um dos formatos de imagem mais avançados que existe, tornaria ridícula a opção de ignorar a sua existência, ou o seu uso.
@Leonardo meu caro, provaste que ou estás a mentir ou não fazes a menor ideia do que é XML (Extensible Markup Language, norma aberta do W3C).
Outra prova que ou mentes ou não sabes o que é legibilidade.
Há aqui bastantes exemplos do OOXML, suficientes para perceber como é “legível”.
Show me the money!, caso contrário não passas de um mentiroso. Para já dou-te o benefício da dúvida: deves ser apenas completamente incompetente para emitir tais informações.
Precisamente por isso não devia ser evitada, como é este o caso.
A única forma em que isto te pode assustar é ter interesses comerciais por trás disso.
É um escândalo que um organismo da Administração Pública force a utilização de um formato proprietário porque está a ser favorecido um fornecedor específico.
Quando esse organismo é o Tribunal de Contas, é ainda mais grave pois está a incentivar o despesismo desnecessário.
Quando esse organismo é o Conselho para a Prevenção da Corrupção, está imediatamente colocada em causa a sua independência por favorecer um fornecedor específico.
Curiosamente não te vejo a debater este, que é o cerne da questão.
Pior, as únicas referências que fazes é de tentar escamotear o escândalo tentando sugerir que exigir o bom uso dos dinheiros públicos é para extremistas.
O teu ponto de vista é que é extremista! Queres à viva força manter o status quo.
Depois de ter consultado a versão PDF do questionário (apenas para consulta) cheguei a duas conclusões giras:
Não só uma folha de cálculo não é a melhor forma de o responder, como também não é a melhor forma de questionar.
Pior: esta metodologia do Tribunal de Contas levaria a uma respostas embaraçosas para algumas perguntas.
“Perdi o meu tempo a contactar um amigo meu que trabalha para o Estado, num organismo obrigado a responder ao questionário. Pedi-lhe uma cópia para olhar lá para dentro e simular outputs. Gravei um ficheiro XML como as instruções deles indicam. Aquilo *é* XML legível, e até valida como tal em serviços de validação online (do ponto de vista sintático). O ficheiro que é assim obtido *não é* XLSX, por mais do que seja dito aqui. O XLSX é um formato binário. O XML obtido a partir do Office 2007 não é.”
Este procedimento só é possível ser feito com o Microsoft Office o que obriga toda e qualquer entidade a adquiri-lo para o efeito. Você acha que esta obrigatoriedade é boa para o mercado?!
Um simples formulário online resolvia o problema e ainda facilitava o processo. Não é credível defender esta situação porque este processo não faz sentido nem em termos de interoperabilidade nem em termos de arquitectura.
Sou um Astroturfer
Tremo só de pensar que alguma vez tenha sonhado em utiizar formatos abertos de forma sistemática. Há muitas formas de fundamentalismo – dispensa-se mais uma, o de natureza tecnológica.
Isto leva-me a outra conclusão estranha. Acho que sem o querer (?) a ANSOL acaba por ser o maior defensor dos formatos proprietários neste país. É que se os potenciais interessados no uso de formatos abertos se virem sistematicamente associados a uma linha de discurso ultra-radical, com toda a certeza arrepiarão caminho.
É estranho pensar como uma caixa de software da Adobe ou (pasme-se!) da Microsoft, podem encerrar a liberdade de utilizar uma multiplicidade de formatos (porque a questão última que está em discussão são os usos que se dão à informação e a forma como ela é codificada). Concerteza já perceberam que o vosso discurso apela fortemente contra o “vendor lock-in”, mas obriga ao “format lock-in” – ou usam formatos livres ou são uns vendidos. Só por isso, a vossa posição está irremediavelmente errada.
Moderem o discurso e reconheçam que a maior parte dos utilizadores apenas se preocupam em fazer o seu trabalho, com os meios que conhecem. Se os formatos abertos são assim tão preferenciais, mostrem as vantagens competitivas. Sem demagogia, sem praticar uma política de terra queimada quanto aos restantes formatos.
Pode ser que 2009 seja o ano em que os formatos livres vão finalmente inundar os desktops do planeta. Ou então não (a continuarem assim, duvido). Deixem-me ser mauzinho, só mais uma vez – pode ser que o grande popularizador da família de formatos ODF venha a ser a Microsoft (ui!), com a próxima versão do Office…
Porque é que você quer restringir o mercado apenas a fornecedores específicos (aqueles que são os únicos a controlar um formato uma vez que ele é fechado)?
Larga a droga.
Se isso fosse argumento para alguma coisa seria para mudarem para formatos abertos, uma vez que neste momento estão quase todos sob a influência ultra-radical de fornecedores específicos que pretendem manter as suas “cash-cows” asseguradas.
Huh? Um formato livre não faz lock-in a nada, pelo contrário abre a porta à livre concorrência pelo melhor serviço prestado por qualquer fornecedor.
Não é nada difícil perceber porque são preferenciais os formatos abertos.
As vantagens competitivas dos formatos abertos são evidentes, porque um formato proprietário impõe fornecedores específicos, enquanto que um formato aberto abre a possibilidade de qualquer fornecedor poder concorrer pela prestação de um serviço mais racional, mais eficiente, mais barato com resultados práticos positivos imediatos na prestação da Administração Pública aos seus clientes, os cidadãos.
A sua verborreia resume-se a uma hábil tentativa de enganar um leitor menos atento, e neste momento não posso mais colocar em causa a sua inteligência.
Convenceu-me da intencionalidade da sua argumentação tendo por isso acabado de garantir o selo Astroturfer com essa mensagem.
Agradeço que vá enfiar esse tipo de acusações onde o sol não brilha.
@Leonardo
Format lock in em formatos abertos?
Aí está uma ideia genial da sua parte. Genial mas não muito nova, dado que o outro nome para isso é “política de formatos abertos” ou “open standards policy” e já está implementado em vários países da Europa.
“Moderem o discurso e reconheçam que a maior parte dos utilizadores apenas se preocupam em fazer o seu trabalho, com os meios que conhecem. Se os formatos abertos são assim tão preferenciais, mostrem as vantagens competitivas.”
A vantagem competitiva é precisamente haver competição, com vários produtos a poder implementar o mesmo formato. É difícil de perceber?
O oposto dos formatos abertos é um produto a manter-se no poleiro não por ser forçosamente melhor mas porque é o único que consegue implementar o formato. Ausência de competição.
Agora explique-nos como é que milhares de documentos públicos encerrados num formato fechado compatível com apenas um produto incentivam a competição melhor do que os formatos abertos… se é essa a sua opiniaõ.
o ambiente deve de andar mesmo mal para os lados do tagus park, mais concretamente no edificio microsoft.
as negociatas não vão bem é?
para aparecerem por aqui tão distintos cavalheiros a defenderem tantos interesses instalados, só pode mesmo a crise ter chegado lá.
“Tremo só de pensar que alguma vez tenha sonhado em utiizar formatos abertos de forma sistemática.”
Calculo que este comentário tenha sido enviado por Fax!
Ah!, mesmo o Fax é um formato aberto…
Bem, não consigo mesmo vislumbrar outra forma de publicar os comentários.
É que se foi através da Internet deve ter tropeçado em milhares de formatos abertos, muitos deles livres. Com tanto tropeção e a tremer dessa maneira como é que consegue escrever alguma coisa de jeito!?
Claro que não pode, não é?
Só para finalizar, decerto dirá que estes gajos também são tolos em andarem a abraçar os formatos abertos e a pedir ajuda à comunidade open-source para lhes fazerem uns trabalhinhos:
http://www.theregister.co.uk/2009/03/25/microsoft_tremendous_commitment/
Ou são tolos ou estão a mentir descaradamente, não é?
Desde já declaro que esta última suposição -estão a mentir- coincide com a minha e só me resta agradecer ter corroborado a minha tese.
@Rui Seabra:
Andam a esmerar-se, principalmente nos nomes dos astroturfers:
- Leonardo = Do alemão “homens fortes, forte como o leão”;
- Mario = Do alemão “homem por excelência”;
- Victor = Latim: “vencedor”.
Agora que penso nisso, acho estranho dois “alemões” e uma língua morta!?
Quanto ao tópico, nota-se perfeitamente que não sabem mais. Alguém lhes ensinou a fazer uma coisita ou outra em Excel e Word e é só vê-los a espalhar o tecnologicamente chocante conhecimento.
Com governantes destes o que se esperaria do regulador-mor?
@braço para uns e uns cobertores para os outros.
[quote]Moderem o discurso e reconheçam que a maior parte dos utilizadores apenas se preocupam em fazer o seu trabalho, com os meios que conhecem. Se os formatos abertos são assim tão preferenciais, mostrem as vantagens competitivas. Sem demagogia, sem praticar uma política de terra queimada quanto aos restantes formatos.[/quote]
É verdade, caro Leonardp, mas isso também é sinónimo de ignorância e atraso, diria que por vezes mesmo mental…;)
Falando muito a sério, quem aqui não percebe é mesmo você, ou então tem interesses não confessos na defesa de algum formato proprietário.
Sem negar a realidade de get the job done, na verdade muitos daqueles que ainda usam tão sistematicamente formatos fechado o fazem por mera ignorância:[1] ignorância quanto ao que isso implica (ausência de concorrência, logo custos mais elevados para o consumidor; a (in)acessibilidade futura a tal documentação digital; entre outros); [2] ignorância quanto às alternativas existentes. Por este andar, não estaremos nós só na cauda de toda a Europa como também dos PLOPs. Veja, leia, aprenda, abra a sua mente, e reconheça que, pelo menos uma vez na vida, poderá não ter razão. Será que estarão errados todos aqueles que adoptaram formatos abertos obrigatoriamente ao nível da administração pública, incluindo dentro dos próprios EUA? Creio que não, a não ser que seja bem à portuguesa: “orgulhosamente sós”. Pensava que isso tinha sido noutros tempos, apesar da realidade mais recente me tenha levado a duvidar de tal…
A verdade é que os técnicos que dão pareceres às instituições publicas (que trabalham para eles directa ou indirectamente),não sabem fazer mais. Daí o facto de se ter um processo tão complexo e tão retrogrado com o descrito acima.
Sem querer defender este ou aquele ponto de vista a verdade é que enquanto os técnicos de informática que trabalham nestas instituições e que não têm nenhuma competência técnica para avaliar este tipo de situações vamos continuar a ver estes maus negócios e estes desperdícios de dinheiro.
Eu já trabalhei com eles e continuo por vezes a trabalhar, e posso-lhes dizer que em cerca de 150 técnicos conheci 3 que sabiam realmente o que faziam… o resto vocês já sabem
@Amândio: não duvido que não saibam fazer mais, para isso é que se fazem Request for Proposals.
O que não se pode admitir é que façam benefício de fornecedores específicos, e ainda se sintam como virgens ofendidas.
[...] cá como cogumelos no Outono? Por onde anda o Tribunal de Contas?É verdade, já me esquecia, esse Tribunal não nos defende, aliás ‘cai’, ou melhor deixa-se cair, exactamente nos mesmos [...]