Tribunal de Contas obriga AP a ser cliente Microsoft
O Conselho de Prevenção da Corrupção, uma unidade do Tribunal de Contas, está a fazer um inquérito com «dever de colaboração previsto no art.º 9.º da Lei n.º 54/2008, de 4 de Setembro», ou seja que tem de ser respondido. Mas para ser respondido é obrigatório ser-se cliente da Microsoft.
«O questionário, aprovado por Deliberação do Conselho de Prevenção da Corrupção, de 4 de Março de 2009 e publicado em Diário da República, 2ª série – Nº 55 – 19 de Março de 2009 (Aviso nº 5882/2009), destina-se a servir de guia na avaliação dos riscos nas áreas da contratação pública e da concessão de benefícios públicos.»
Ora este questionário não somente apenas se encontra disponível em formato Microsoft Excel, como o CPC do TC obriga a gravação no formato XML do Microsoft Office 2007 (e atenção que por muito que a Microsoft o diga, não é o mesmo formato que o Microsoft OOXML mas uma versão incompatível que o antecede).
Porque é que um Conselho de Prevenção da Corrupção de um órgão tão importante da Administração Pública favorece a Microsoft?
Categoria: Notícia | 16 comentários »
Temas: Administração Pública, Monopolsoft, OOXML Assim Não!, Tribunal de Contas

Então… e como respondemos a isto?
“Quaisquer dúvidas surgidas no preenchimento do questionário poderão ser comunicados para o endereço de correio electrónico abaixo indicado ou para o telefone 217945138.
Após o correcto preenchimento e exportação do questionário, agradece-se o envio do ficheiro em formato XML para o endereço de correio electrónico cpc.quest@tcontas.pt.”
@Rui,
não reparaste numa coisa, o inquérito é para ser preenchido só por dirigentes da administração pública. Como a AP é 100% M$ (se houver algum gabinete sem M$ Office, já deve estar com um processo disciplinar) não há problema
@miguel:
Bem, por um lado não é verdade que a AP é 100% Microsoft, por outro lado actividades deste género fomentam o vendor lock-in.
Se bem que eu acredito mais em tratar-se de um caso de ignorância tecnológica, é um bocado inaceitável que uma entidade anti-corrupção haja como braço comercial da Microsoft.
isto de vai de mal a pior.
e o mais impressionante é que quem deveria verificar estas tristes coincidências, acha que está tudo bem!
épa eu so queria postar o que escrevi será que posso?
Cumprimentos
boas..
a verdade é que lidamos com umas luvas muito grandes e com gente que é muito ignorante,e que estão montados no poleiro do poder por anos seguidos e por amigos influentes,o que se pode dizer mais,parece que ja é praticada por órgãos governamentais a muito tempo, daqui onde está a novidade??
Só mesmo as instituições europeias é que poderão por fim a isto.
@lmx claro que podes, mas só me deste trabalho!
Apaguei os restantes comentários pois eram todos repetições por não teres lido o que está escrito debaixo da textarea do comentário.
a verdade é que lidamos com umas luvas muito grandes e com gente que é muito ignorante e incapaz, e que estão montados no poleiro do poder por anos seguidos e por amigos influentes e….o que se pode dizer mais venha a currupção, parece que ja é preticada por orgãos governamentais a muito tempo, daqui onde está a novidade??
Só mesmo as instituições europeias é que poderão por fim a isto, nos por ca nao podemos fazer nada, tal o nivel de corrupção instalado
Cumprimentos
Acho que se trata de um caso de ignorância…
Escrevi a título pessoal, um e-mail a pedir esclarecimentos sobre a situação.
«Exmo/a senhor(a)
Chegou ao meu conhecimento que o Conselho de Prevenção de Corrupção, fornece o questionário (aprovado por Deliberação do Conselho de Prevenção da Corrupção, de 4 de Março de 2009) e exige que após preenchido seja entregue num formato proprietário da Microsoft.
Esta prática implica que todos os que preenchem este formulário tenham que ser clientes da Microsoft (a única forma de garantir o acesso ao documento e a sua correcta alteração).
Gostava que quem de direito, me explicasse as razões deste implícito favorecimento comercial a uma empresa por parte do Tribunal de Contas, que afecta pelo menos uma parte considerável do estado. Principalmente tendo em conta a existência de formatos standard como o ISO/IEC 26300:2006 Open Document Format for Office Applications, que pode ser livremente implementado por qualquer fabricante e para o qual existe uma grande compatibilidade no mercado (mesmo quando necessário a recorrer a aplicações de terceiros do tipo plug-in para garantir compatibilidade) e até mesmo aplicações livres e gratuitas que implementam o formato standard.
com os meus cumprimentos
Diogo Miguel Constantino Santos
P.S.: Para conhecimento de vossas excelências informo que esta mensagem foi enviada com conhecimento a várias pessoas e instituições incluindo o Primeiro Ministro da República Portuguesa e o Presidente da República Portuguesa.»
boas diogo, aproveitei para tb enviar ainda que com algumas modificações.
Exmo/a senhor(a)
Chegou ao meu conhecimento que o Conselho de Prevenção de Corrupção, fornece o questionário (aprovado por Deliberação do Conselho de Prevenção da Corrupção, de 4 de Março de 2009) e exige que após ter sido preenchido seja entregue num formato proprietário da Microsoft.
Esta prática implica que todos os que preenchem este formulário tenham de ser clientes da Microsoft (a única forma de garantir o acesso ao documento e a sua correcta alteração).
Gostaria que quem de direito, me explicasse as razões deste implícito favorecimento comercial a uma empresa por parte do Tribunal de Contas, que afecta pelo menos uma parte considerável do estado. Principalmente tendo em conta a existência de formatos padrão/standard como o ISO/IEC 26300:2006 Open Document Format for Office Applications, que pode ser livremente implementado por qualquer fabricante e para o qual existe uma grande compatibilidade no mercado (mesmo quando necessário a recorrer a aplicações de terceiros do tipo plug-in para garantir compatibilidade) e até mesmo aplicações livres e gratuitas que implementam o formato standard.
Relembro ainda que a UE bem como a NATO requerem a utilização de documentos baseados em formatos padronizados e que possam ser implementados por todos, como exemplo a NATO obriga mesmo à utilização do formato aberto e livre, ODF, que acima refiro.
Por último relembro as palavras da Comissária Neelie Kroes relativa a estas situações de não respeito por normas por parte de empresas e Estados da UE, afirma ela que «Nenhum cidadão ou companhia deveria ser forçado ou encorajado a escolher uma tecnologia fechada contra uma aberta, graças a um governo ter feito essa escolha primeiro», diz Neelie Kroes, bem como «Escolher formatos tecnológicos que podem ser utilizados por fornecedores diferentes — frequentemente sem pagar taxas — é uma decisão de negócio muito esperta».”
com os meus cumprimentos
Ricardo Nunes
P.S.: Para conhecimento de vossas excelências informo que esta mensagem foi enviada com conhecimento a várias pessoas e instituições incluindo o Primeiro Ministro da República Portuguesa e o Presidente da República Portuguesa.»
Ainda não obtive resposta… Mas é normal tendo em conta a hora a que enviei a mensagem numa sexta-feira e hoje ser ainda segunda. Contudo espero ter uma resposta hoje, ou amanhã (pelo menos a acusar a recepção).
Caso não receba nenhuma resposta em alguns dias, vou escrever uma carta com aviso de recepção ao Presidente do Tribunal de Contas, que embora não acredito que seja directamente responsável por esta situação, tem um cargo que o obriga a dar uma resposta.
eu tb ainda nada recebi, mas tb enviei só na sexta.
vamos a ver, aquilo é gente muito atarefada
já recebi uma enorme resposta.
diogo, podes entrar em contacto comigo pf?
o meu contacto está no blog.
abs
Contactei-te à minutos, desculpa a confusão de ter usado dois endereços de correio diferentes, foi por distracção.
Eu ainda não tenho nenhuma resposta, só algumas das instituições a acusar recepção, mas o TC não se encontra entre elas.
[...] pessoas que contactaram o Tribunal de Contas solicitando explicações para este estar a forçar a Administração Pública a ser cliente da Microsoft, fizeram-nos chegar a sua resposta oficial. Tratando-se de informação pública, apresento aqui [...]