Conselho Europeu recusa documentos ACTA solicitados pela FFII
Depois de na semana passada a FFII ter solicitado um número de documentos ao Conselho Europeu de Ministros sobre as negociações secretas que envolvem o ACTA (Anti-Counterfeiting Trade Agreement), o Conselho Europeu respondeu negativamente, recusando com uma surpreendente celeridade.
Nova nota para imprensa da FFII (em inglês) onde é relatada a recusa do Conselho:
Bruxelas, 10 de Novembro de 2008 — o Conselho Europeu de Ministros recusa publicar os documentos secretos do ACTA. A Fundação para uma Infraestrutura de Informação Livre (FFII) solicitou estes documentos para possibilitar o escrutínio parlamentar e público. Depois da recusa do Conselho, a FFII enviou uma requisição confirmatória, para que o Conselho Europeu reveja a sua posição, tal como permitido pelo Artigo 7º, Ponto 2 da regulamentação sobre o acesso público a tais documentos.
O segredo da ACTA alimenta as preocupações de que o tratado forneça os meios necessários aos trolls de patentes para extorquir companhias, dificulte o acesso a medicamentos genéricos de baixo custo, conduza à monitorização das comunicações na Internet de todos os cidadãos europeus e criminalize a partilha electrónica de ficheiros em redes peer to peer.
O Conselho Europeu recusa publicar os documentos afirmando que publicação dessa informação poderia impedir o curso normal das negociações, enfraqueceria a posição da União Europeia nas mesmas e poderia afectar as relações com os países envolvidos.
A FFII reafirma a sua requisição declarando que o processo legislativo europeu tem de ser aberto. Se o acordo apenas for tornado público depois de todas as partes o subscreverem, nenhum dos parlamentos da Europa poderá ter escrutinizado os documentos de modo significativo. Para prevenir que isto aconteça, poderá ser necessário renegociar a transparência do ACTA.
A carta de requisição da FFII questiona inequivocamente o segredo do ACTA: «O argumento de que a transparência pública pode ser ignorada em relação a ‘acordos de comércio’ se isso enfraquecer a posição da UE é particularmente doloroso. Exactamente em que ponto é que as negociações de assuntos comérciais podem ser mais importantes que o processo legislativo democrático? Aos 200 milhões de Euros? Aos 500 milhões de Euros? Ao bilião de Euros? Qual é o preço da nossa democracia?»
O Governo Canadiano, sob a Directiva do Acesso à Informação, teve que publicar documentos que providenciaram indícios adicionais sobre a natureza secreta das negociações.
Se o Conselho Europeu voltar a recusar, a FFII poderá levar o assunto ao Tribunal Europeu de Justiça. Um caso anterior de transparência na UE demorou 6 anos a resolver. Por essa altura, o ACTA poderá já estar há muito tempo em plena força.
Ante Wessels, analista da FFII, afirma que «Não temos muito tempo. A única solução que vemos é os parlamentos Europeus forçarem o Conselho a publicar os textos com inquéritos parlamentares de escrutínio.»
Ligações:
- FFII opõe-se a legislação secreta, exige documentos ACTA (em português)
- Resposta do Conselho Europeu recusando a publicação dos documentos (em PDF)
- Análise da FFII sobre o ACTA
- Documentos publicados pelo governo Canadiano
- Carta aberta de mais de 100 instituições de interesse público (há aqui mais informação sobre as preocupações de que o ACTA dificulte o acesso a medicamentos genéricos de baixo custo)
- Documentos do ACTA existentes no site do Conselho Europeu
- Formulário no site do Conselho Europeu para solicitar documentos
- Esta nota para imprensa da FFII (de notar que a requisição da FFII encontra-se no final da página nesta ligação)
Contactos:
- Benjamin Henrion, FFII Bruxelas, +32-2-414 84 03, +32-484-566109, bhenrion@ffii.org (francês ou inglês)
- Ante Wessels, + 31 6 100 99 063, ante@ffii.org, (holandês ou inglês)
Categoria: Software Livre | 5 comentários »
Temas: ACTA, EUA, Europa, FFII, Governo, Japão, Patentes de Software



Lixados com F?…
Esperemos que não, e que seja realmente possível fazer algo!
boas, esta é a democracia que os senhores todos poderosos da Europa estão a construir, ou melhor a destruir.
não mostram aos cidadãos o que fazem ou querem fazer, apenas querem que as pessoas cegamente e sem crítica os siga, quando as pessoas são inteligentes e dizem não, como no caso irlandês, chamam-lhes de tudo e já se preparam para destruir a constituição irlandesa para conseguirem os seus intentos, são estes os reais democratas da nossa Europa.
mas esta legislação não nasceu por cá, está a ser importada dos estados UKUSA, esta é mais uma lei/legislação pela qual se irá ficar a perceber das verdadeiras intenções de Obama, tal como afirmo no que escrevi aqui « http://ovigia.wordpress.com/2008/11/05/o-que-vai-obama-fazer-em-relacao-a-estas-questoes-a-mudanca-mede-se-por-resolucoes-efectivas/ »sobre isto e muito mais.
abs
rjnunes
[...] pelo Conselho citadas no comunicado oficial da FFII (cuja tradução portuguesa pode ser lida aqui) para se recusar a publicar os documentos, a divulgação dessa informação “poderia impedir [...]
Democracia sem transparência a participação do povo, não tem liberdade e por isso é inútil. Não é assim que queremos viver.
Consigo entender segredo em algumas questões de segurança nacional e/ou pública, não em questões destas.
A UE e os seus membros têm que funcionar de forma transparente para os seus cidadãos, bem como permitir a sua participação.
Acho que não é do interesse da UE e por isso dos seus cidadãos, dialogar com países, que não aceitem princípios como: democracia, transparência e liberdade. Até porque não aceitando estes princípios também não acredito que sejam capazes de cumprir quaisquer tipo de acordos e por isso negociar acordos com eles é inútil.
[...] os contractos efectuados com a micro$oft, algo que vai na linha da também infeliz ACTA [2], que os governos dos EUA, Europa, Austrália e Nova Zelândia, Canadá e Japão estão a [...]