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Não alimentem o Troll LinuxHater

Publicado em 8 de Agosto, 2008, por Rui Seabra

Há uma vaga crescente de pessoas que pensa que um fulano conhecido como “Linux Hater” (gajo que odeia o “Linux”) diz coisas acertadas.

Esta tendência preocupa-me porque não vejo nesse fulano nada mais do que um troll pago para o ser.

As suas “queixas” soam a razoáveis, e são frequentemente de uma detalhe técnico extremamente elevado. Mas o detalhe técnico, de tal forma tão elevado, com que descreve certos problemas, sugere uma clara capacidade para resolver os problemas. Mas não o faz, apenas berra como um menino mimado, que recebe um pónei e ainda reclama.

Ou seja,

  • trata-se de um egocêntrico que gosta de mostrar que é muito bom (tecnicamente apenas), mas tão egoísta que não contribui com propostas de alteração e só reclama
  • ou “ele”, na realidade, não passa de um testa-de-ferro para um conjunto de pessoas que o alimentam com argumentação técnica.

Se a primeira possibilidade é notoriamente má, de um ponto de vista humano, seria a mais simples de aceitar. Só que é incongruente com o vasto leque de temas que ele abrange com qualidade técnica elevada.

E quem é que aprecia qualidade técnica elevada? É isso mesmo, os programadores. Ao apenas reclamar, com muita qualidade técnica atrai a simpatia de programadores. E muitos, ao ver alguém que “admiram” não tomar uma atitude positiva, acabam por lhe seguir o exemplo.

Portanto eu creio que o objectivo é desincentivar potenciais programadores, ou aqueles que não estiverem fortemente motivados. Notem o padrão dos títulos de uma pesquisa no Google por Linux Hater.

Mas por vezes sai-se com coisas que revelam que ele não passa de um Troll muito elaborado, como num artigo recente chamado A Falácia da Escolha. A malta que gosta de falar da “falácia da escolha” começa por não saber o que diz pois não é um tipo de falácia reconhecido.

Mas fica bem dizê-lo, pois não só parece erudito, como parece soar bem e usa um termo caro, a “falácia”. Só que este ponto de vista tem vários problemas lógicos.

Esse artigo ataca fundamentalmente algo que eu reconheço como uma virtude: o não estarmos presos à única opção que um único fornecedor nos dá (ex: o Windows da Microsoft, ou o MacOS da Apple). O podermos escolher uma ferramenta que mais nos convém, e… ao mesmo tempo, poder optar por não escolher e utilizar as ferramentas pré-seleccionadas por um distribuidor de GNU/Linux.

Um dos princípios do ataque à escolha assenta sobre o absurdo que é exigir a programadores pelo mundo fora que parem de fazer aquilo que os motiva, e se concentrem em satisfazer e mimar alguém que nada lhes diz. Nem é familiar, nem amigo, nem fã, nem empregador. Se não lhes pagam (sejam com amor, amizade, reconhecimento ou dinheiro), não há direito a qualquer exigência, ponto final. É claro como água a ausência de direito a exigir.

Existem programadores que, por outro lado, estão motivados em concentrar os esforços, em fazer unificações e simplificações. E estes merecem todo o nosso reconhecimento (como por exemplo os programadores do GNOME, do KDE, e sobretudo as mais populares distribuições de GNU/Linux).

E se não forem sobretudo as distribuições de GNU/Linux, algumas comerciais e que pagam aos seus programadores focados em projectos de simplificação de interfaces, a fazê-lo, quem o fará?

Mas ao mesmo tempo que o LinuxHater reclama da existência da escolha, não só não propõe soluções, como aniquila os esforços de quem por missão simplifica os interfaces para apresentar boas escolhas que simplesmente funcionem. Repare-se em porque é que na sua opinião as distribuições falham:

  • há muitas distribuições
  • as distribuições não são quem tem a perícia para o fazer

Primeiro, a culpa de uma distribuição falhar em simplificar o seu interface é a existência de outras? O raciocínio base é acabar com a variedade de distribuições. Ou seja, por essa lógica de argumentos, dentro de um telemóvel com GNU/Linux deveria estar um Fedora ou um Ubuntu, e não uma distribuição de GNU/Linux que seja minimal o suficiente para caber no reduzido espaço de armazenamento de dados, ou elegante o suficiente para não exigir tanta memória ou CPU.

Ou porque é extremamente mau poder optar por uma distribuição orientada a proteger redes, quando queremos instalar uma firewall.

Realmente, a escolha é uma coisa muito chata, não é? SEGUINTE!

Então a culpa das distribuições é não serem quem tem a perícia para o fazer? Mas são precisamente as distribuições interessadas em fazê-lo que o farão. Não vejo mais ninguém com a capacidade, interesse ou até responsabilidade (no caso das comerciais) em fazê-lo.

E o LinuxHater também não, uma vez que não oferece uma pista de quem tem essa capacidade (a Microsoft ou a Apple, certamente…).

Por isso, façam como eu, ignorem-no. É o melhor a fazer quanto aos Trolls: não os alimentem. Nem o ego, nem os hits.

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Categoria: Software Livre | 37 comentários »
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