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Porquê tanto ruído sobre o Magalhães?

Publicado em 3 de Agosto, 2008, por Rui Seabra

Porquê tanto ruído sobre o Magalhães? O que tem o Magalhães de especial? É feito por portugueses? Não, apenas montado e decorado diferentemente. Ah, pode ter o CaixaMágica. Uau, é a única notícia interessante no meio disto tudo.

[update] aparentemente há quem esteja ainda mais… digamos céptico… sobre o Magalhães num artigo adequadamente intitulado Acéfalos.

Ora vejamos:

  • Isto é um reflexo dos custos do petróleo, vender classmates para a Europa e arredores com o custo de combustível a transportar desde o oriente torna Portugal, com mão de obra não tão barata mas com muita qualidade.
  • Segundo numa sequência de grandes negócios da JP Sá Couto depois de votar a favor do Microsoft OOXML na CT-173. 500 mil vendas garantidas, consta…
  • É um computador pior que o OLPC XO (que Portugal desdenhou) sob vários vectores (CPU e capacidade de armazenamento não são o que mais vale num computador destes), logo os alunos não vão ganhar grande coisa.
  • E mais estranho ainda… reconhecem o computador na imagem abaixo como sendo o Magalhães? Reparem que é de um artigo sobre o classmate no Chile…

Nisto tudo, quem ganhou foi:

  • a Intel, que é quem fabrica os Classmates e quer uma fatia do mercado dos UMPCs na Europa
  • o , que transmite a imagem de que o Plano Tecnológico está a andar num “e-escolinhas” em barda
  • a JP Sá Couto (no que parece uma onda de recompensas, a anterior em ligação directa com a Microsoft)
  • a Caixa Mágica que ganhou alguma publicidade (mas não muita a avaliar pelas raras menções na televisão)

Ficam a perder:

  • os portugueses que não verão uma evolução tecnológica da população (ambientes estilo Desktop nestes computadores são um desincentivo das novas tecnologias)
  • os alunos assim que virem que é um computador “como os outros” só que “muitaaa lentooo…”
  • o , que desperdiça experiências com novas metodologias (construcionista, por exemplo) e perfere continuar a treinar pessoas em desktops “estáticos” com processadores de texto, e outras “coisas que tais”
  • a economia pois não há inovação portuguesa, apenas mais um negócio churudo tirado subitamente de um chapéu

Para mim fica a dúvida: para além de um golpe de marketing, que veio de bom daqui?

Outros comentários na internet ao Magalhães:

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Categoria: Software Livre | 3 comentários »
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3 comentários

De acordo na generalidade sobre o que aqui escreve mas tenho algumas dúvidas sobre a questão da performance ser inferior. Refiro-me ao ClassmatePC com Intel Atom. Pessoalmente comprarei um Asus EEE PC 901 (comparável ao ClassmatePC 2; melhor, até) quando estiver disponível na Europa para o usar como netPC. Internet wireless + OpenOffice + Linux, tudo num preço muito módico (entre 400 e 500 euros) e pesando cerca dum Kg. Ah, e com 5 a 7h de autonomia! Creio que é também uma utilização mais do que suficiente para a escola.

Já agora, estive a ver este nao.quero.imposto.ms e apoiarei a iniciativa no Fliscorno, quando o tempo para isso der. Ainda no outro dia passei na Fnac e constatei que os tipos não vende um único computador se a porra do M$ Win instalado. Então e se eu já tiver uma licença Windows que não estou a usar? Isso acontece a quem passa compra PC novo, não usando o antigo. Enfim…

J M Cerqueira Esteves, em

O problema é mais profundo que as negociatas de corredor sem concurso, as mentiras de marketing comercial e político,
ou mesmo que as opções em licenças de software.

A questão que parece mais difícil de se ouvir no meio do tecno-frenesim é a da estupidez sistemática do computador e de algum software específico cada vez mais cedo na sala de aula,
e como material didáctico a passar a obrigatório.

Que as empresas façam por vender a ideia é natural. Problema é que o governo a papagueia porque qualquer ‘medida tecnológica’ soa bem, e os media e a maior parte do público acreditam acriticamente. Começar cedo na utilização do computador é então não só útil como ‘fundamental’ no que chamam ‘preparação para as novas tecnologias’, e mesmo para toda a aprendizagem. Para ampliar o problema, a menos de carolices docentes não pagas nem devidamente reconhecidas para efeitos de carreira, a referida ‘preparação’ não lida com a compreensão nem prepara para a autonomia de aprendizagem: no âmbito da actual estratégia de ’sucesso escolar’, reduz-se ao treino nalgumas ferramentas, algumas notoriamente nocivas para a aprendizagem da escrita, do raciocínio e da apresentação de informação (como PowerPoint e sucedâneos) ou até para aquisição de intuição matemática e científica em geral (como com a introdução precoce de software de representação gráfica e mesmo, já a nível universitário, a introdução precoce de software de cálculo simbólico ou numérico de alto nível).

Mesmo depois de vassouradas nas outras fraudes, quanto a esta fraude do Ensino (uma entre outras de natureza ‘didáctica’) seria de louvar algum ministro da educação que tivesse a coragem de dizer publicamente que a educação em geral e a preparação para tecnologia em particular seriam mais eficazes com bom ensino de matemática, de português, de inglês, de raciocínio e por outras vias indirectas como ensino da música
do que com a fotogénica colocação da criança frente ao teclado e ao “e-learning” a fazer sucedâneos de redacção fragmentada em mais ou menos polidos slides de PowerPoint.

A esperança… é ainda menor com esta que quanto às outras fraudes.