Apelo à ISO congela Microsoft/ECMA OOXML
A África do Sul, como membro participante recorreu à ISO de acordo com a cláusula 11.1.2:
Um membro P da JTC 1 ou um SC pode apelar contra qualquer acção, ou inacção, da parte do JTC 1 ou de um SC quando o membro P considerar que em tal acção ou inacção:
- questões de princípio estão envolvidas;
- os conteúdos de um rascunho podem ser detrimentais para a reputação da IEC ou da ISO; ou
- o ponto que levou à objecção não era conhecido pelo JTC 1 ou SC durante as discussões anteriores..
Um único apelo é suficiente para o OOXML não se tornar numa norma, sendo necessário resolver a reclamação levantada. «Consideramos que existe uma importante questão de princípio envolvida e que a reputação da ISO/IEC está de facto em causa», diz o documento, que explica os motivos porque apelam:
- Depois de dada uma hipótese à ECMA de responder às contradições apontadas, o chairman, secretariado e equipa do ITTF decidiram que a reunião não seria produtiva e apressaram a votação;
- Os outros representantes nacionais não souberam das outras contradições, mas na reunião foram informados que quaisquer contradições apresentadas estariam fora da agenda;
- Como apenas foram discutidas 67 das 1022 respostas, a aprovação das restantes nada fez para obter o consenso (necessário pelas regras), e apenas aprovou o [baixo] nível de qualidade normativa da ECMA
- A metodologia de voto não foi a correcta, uma vez que a escolhida é para votos por correio.
- Até hoje nem o relatório final nem o texto FDIS revisto foram publicados [já lá vão 23 dias de atraso, em Portugal a Microsoft, como presidente, faz de conta que não conhece as regras, o IPQ e o II mantêm-se em silêncio ensurdecedor]
- A dimensão do texto e correcções propostas torna mais que evidente que a proposta da ECMA não estava com qualidade suficiente para passar pelo processo de Fast Track
Concluem que o voto final foi o resultado de má informação e de uma BRM fracamente conduzida, bem como questionando um processo que exigia de todas as partes a análise de demasiada informação em pouquíssimo tempo, questionando uma BRM que não reservava tempo suficiente para uma análise adequada, e que foram impostos limites de tempo arbitrários e em contradição com o que as regras indicam, tendo desta forma afectado negativamente a reputação da ISO, da IEC, dos seus processos e por consequente dos membros nacionais.
Grandes africanos! Parabéns à África do Sul, por ter tido a coragem de levantar a voz!
ACTUALIZAÇÃO: Entrentanto reparei que o IPQ finalmente respondeu aos meus apelos sobre os atrasos indevidos da revisão do OOXML (final draft). A Directora da Unidade de Promoção e Distribuição de Normas, Drª Maria João Graça, respondeu-me por email o seguinte:
Exmo Senhor
Ao contactarmos o ONS respectivo, fomos informados que no dia 21 de Maio foi enviado para todos os vogais da CT 173 e inclusivé para V. Exa, como vogal da CT, o ponto de situação relativo ao ISO DIS 95000, pelo que o IPQ nada mais tem a acrescentar.
Maria João Graça
A minha pergunta é: esta resposta é aceitável? Porque carga de água? E qual “ponto de situação” é que se refere? Um conjunto de textos que já são públicos há muito tempo (quase um mês antes do final do prazo) 1 2 3 4 5 … ?
Informação que em nada esclarece onde está o OOXML?
Categoria: Software Livre | 12 comentários »
Temas: África do Sul, OOXML Assim Não!



Vamos ver é se outros países lhe seguem o *bom* exemplo.
Bruno, claro que Portugal será um deles
Será esta a razão da notícia do ODF no m$ offic€ 2007?
Então e por escrito, não te podem responder? Só mesmo por e-mail? É pena, porque dá jeito guardar todos os elementos em suporte físico.
Acrescento que é vergonhoso fazerem as pessoas passarem por estúpidas e por parvas. A pergunta é simples, só merece uma resposta simples:
“http://www.itscj.ipsj.or.jp/sc34/open/1026c.htm
Resolution 8: Distribution of Final text of DIS 29500″
“SC 34 requests the ITTF and the SC34 secretariat to distribute the already received final text of DIS 29500 to the SC 34 members in accordance with JTC 1 directives section 13.12 as soon as possible, but not later than May 1st 2008. Access to this document is important for the success of various ISO/IEC 29500 maintenance activities.”
Qual é a dúvida? Só têm de responder a isto! E se não sabem responder então têm motivos para reclamar junto do ISO/IEC tal como fez a África do Sul.
Essa resposta parece uma resposta de um qualquer apoio técnico de um operador de telecomunicações, que nem se dá ao trabalho de ler o pedido efectuado pelos seus clientes.
IPQ e II, acordem! Julgam que quem escreve nestes blogs são zé-ninguém que não sabem do que estão a falar? Se calhar, estão muito enganados.
Só um pequeno comentário: reclamar, sim. Mesmo não tendo o estatuto P podem sempre mostrar publicamente o seu desagrado.
@rui_acp
Tanto positivismo. Era bom que isso acontecesse, mas duvido.
Caríssimo Rui Seabra,
“11.2.2 Upon receipt, the JTC 1 Secretariat shall advise all its P-members of the appeal, and take immediate action, by correspondence or at a meeting, to consider and decide on the appeal, consulting the Secretaries-General in the process.”
Como vogal da CT, poderá solicitar à CT a confirmação ou ausência da chegada desta informação?
Aqui está uma previsão muito acertada daquele que será o desfecho deste apelo. É triste, mas é muito provável:
http://www.consortiuminfo.org/standardsblog/comment.php?mode=view&cid=19389
Isto é triste porque demonstra apenas que o IPQ não tem QUALIDADE, por falta de competência e imparcialidade.
Neste momento Portugal não tem uma organização capaz de promover discussões técnicas sobre normas e de representar o interesse nacional em organizações internacionais de normalização. Parabéns à m$ft, ao IPQ e ao Instituto de Informática por terem arruinado esta capacidade essencial para um Portugal moderno, com crescimento sustentado, com um mercado livre e com a capacidade de produzir produtos de qualidade.
Pessoalmente acho que actualmente o IPQ vale 0. E se estiverem a acontecer casos semelhantes em outros processos semelhantes dos quais não tenho conhecimento, então acho que o IPQ deve ser extinto, os seus responsáveis processados pelo estado (por gestão danosa, ou algo que se aplique) e criada uma nova organização que de facto defenda o interesse público nacional.
Rui se puderes apaga o primeiro post que fiz, pois não está completo…
Feito!
O boycottnovell.com tem uma lista interessante de situações “estranhas”, onde o nosso Tuguistão aparece bem representado.
sera q foi o Sr. Mark q “puxou” os Sul-Africanos a bater o pé?