Microsoft/DGIDC/ECRIE promovem desrespeito pela Interoperabilidade
A Microsoft está a organizar um concurso com o DGIDC de criação de páginas de Internet com beneficiação para os candidatos que recorrerem a tecnologias não standard e exclusivas da Microsoft, quebrando as naturais expectativas da necessária interoperabilidade da Internet.
Com efeito lê-se no regulamento, entre outras coisas, regras tão chocantes como:
Cada equipa candidata terá de conceber para o site da sua Escola uma área (…).
Esta área deverá ser produzida com recurso a programas da Microsoft (…)
Serão valorizados os sites produzidos com recurso a tecnologia e aplicações Microsoft com especial destaque para o Sharepoint Designer, o Expression Web, o Popfly e Siverlight. São aceites formatos HTM, HTML e XML. Este facto não impede a utilização de outras tecnologias ou linguagens, embora sejam valorizados pelo júri os sites construídos com base em tecnologia Microsoft.
O site SeguraNet era suposto ser «da responsabilidade da Equipa Multidisciplinar Computadores, Redes e Internet na Escola (ECRIE), da Direcção Geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular, do Ministério da Educação» para promover «a utilização esclarecida, crítica e segura da Internet, na Escola».
Contudo ao promover a ausência de interoperabilidade (tão essencial para a Internet) e ao beneficiar o recurso a tecnologias da Microsoft, parece mais ser da responsabilidade da Microsoft para promover Imposto Microsoft.
É certo que o CRIE tenha estado a promover a utilização do Joomla, mas a verdade é que a promoção de Software Livre não impede a necessária concorrência para um mercado livre, e promove o desenvolvimento de competências, enquanto que a promoção de software e formatos proprietários, não. Para além do mais a promoção descarada de tecnologias exclusivas da Microsoft não é honestamente justificável com a Microsoft a pagar o prémio, quando o objectivo alegado é o de «estimular o espírito criativo e empreendedor dos alunos através da construção de um website» tendo «como base a temática da Segurança da Internet».
Que outra coisa seria de esperar vinda de uma empresa que no Linux 2008 se recusou a responder quando lhes perguntaram se estavam realmente interessados em standards e interoperabilidade? O Marcos Santos da Microsoft não só não respondeu, como perfez um triste discurso em defesa das patentes de software…
Se à Microsoft não podemos exigir explicações, das acções do Estado podemos exigi-las. Carrega aqui para aceder à página dos contactos do DGIDC. ou então participa no seu fórum.
É caso para se dizer… PENSEM NAS CRIANCINHAS! Não é o bode expiatório da pedofilia on-line com que se devem preocupar, mas sobretudo da falta de competências cientifico-tecnológicas que lhes estão a provocar…
Actualização em 2008-04-24, 18:36: Já há quem tenha escrito uma carta aberta
Nota: dadas as tecnologias envolvidas, o dano não se limita à Internet estando a interoperabilidade em geral em causa. Assim sendo alterei o título mas mantive o URL.
Categoria: Software Livre | 14 comentários »
Temas: Ensino, Governo, Monopolsoft, Normas Abertas



A tão enunciada “neutralidade tecnológica”, foi agora deixada dentro da caixa… na verdade só serve mesmo para dizer “nós não priveligiamos ninguem” quando o priveligiado é o Software Livre… que amanhã não vem pedir nada em troca (já esses senhores…).
Efectivamente a neutralidade tecnológica faz-se com recurso a standards abertos, e não com a promoção de tecnologias e formatos proprietários.
Standards abertos permitem inclusive não se depender de um fornecedor de GNU/Linux em particular, não é só independência da Microsoft que é importante, mas sobretudo a independência do fornecedor.
Efectivamente só falam de “neutralidade tecnológica” quando a Microsoft se queixa por se recusar a participar.
Sim, porque quando um governo exige Software Livre, a Microsoft não é excluída. É uma opção exclusiva da Microsoft publicar ou não como Software Livre, logo é a Microsoft que se auto-exclui.
Qualquer governante que não veja isso demonstra, no mínimo, não estar preparado para a decisão que tomou.
O que é mais revoltante nisto nem é o facto daquela coisa querer impor a sua vontade, isso já não estranha ninguém, mas sim a cumplicidade que organismos públicos insistem em criar com esta. Essa empresa é multada por anti concorrência, abuso de posição dominante e não divulgação dos seus formatos e protocolos criando um obstáculo à interoperabilidade e o nosso estado parece querer apoiá-los nisso. Será que essas multas à CE estão a ser pagas com o rendimento dos contribuintes portugueses?
Já agora se virem uma página web a pedir pra instalar o silverlight fora do domínio da m$, dos seus parceiros ou organizações patrocinadas por esta avisem, é que eu acho que tal coisa não existe em número significante. Deve ser por isso que urge lançar uma actividade destas para ver se os seus ratos de laboratório ajudam a promover alguma coisa.
Que grande campanha de uso do silverligth, estes gajos não criam nada de novo á anos é só copiar e acabar com os outros não porque são melhores só porque têm as tácticas mais vis.
Não se pode impugnar o concurso?
Eu já protestei, e vocês?
[...] Software Livre no SAPO. Publicado por rcg.pt em Informática [...]
Qual a melhor maneira de protestar? Temos que contactar quem/quê?
Aos responsáveis. No artigo estão os links para a página de contactos.
Não deixa de ser triste que uma instituição pública ajude uma empresa a promover-se desta forma. É pena, porque esta até poderia ser uma excelente iniciativa para promover a utilização de standards web.
De propósito deixei para hoje um comentário a este ultraje à liberdade das pessoas.
A M$ quer fazer um concurso destes. Muito bem. Faça-o e é perfeitamente legítimo que exija o uso exclusivo dos programas deste monopólio. É livre de fazer o que muito bem entender e num sistema democrático temos que aceitar este tipo de posições.
Um governo de um país democrático, regido por uma carta constitucional, tem que obrigatoriamente fazer cumprir algumas das mais basilares regras, como por exemplo, promover a igualdade entre as pessoas.
Ora a promiscuidade presente neste envolvimento de organismos oficiais com uma iniciativa segregativa e puramente económica da M$ vem contrariar esse mesmo espírito democrático e ao invés de promover a igualdade apenas contribui para um inconcebível elitismo, confirmando aquilo que todo o mundo já começa a ver e que é a verdadeira face da M$. Ou seja, ao modo dos regimes ditatoriais, e de alguns que parecem democráticos, existe sempre uma elite que sai beneficiada e os outros não passam de carne para canhão. Fico extremamente triste, especialmente num dia que haveria de ser um hino à liberdade, de ver atitudes elitistas destas por parte dos organismos oficiais. Tenho a impressão, ou melhor quero ter essa impressão, que não seria esta a intenção mas sinceramente chega uma altura em que já não sei mais o que pensar perante esta clara afronta à dignidade e liberdade das pessoas.
Não há ninguém neste governo que se sinta envergonhado ao ver Portugal a baixar as calças à companhia mais predadora do mundo acusada, julgada e multada devido a exactamente este vício de predador!?
E já que “chamei” a UE verá a instituição europeia com bons olhos o apoio que está a dar à DGIDC, SeguraNet e EscolaSegura enquanto apoiantes duma mesquinha, elitista e separatista campanha da M$!?
Também já que falei da DGIDC e EscolaSegura fiquei mais uma vez desiludido pela falta de padronização das páginas destes sites carregadas de erros amadores o que contribui muito para a falta de qualidade notória nos browsers Firefox e Opera. A SeguraNet é um oásis nesta área. Além de um site agradável passa com distinção em testes para confirmação de padrões. Mais uma vez, uma situação inadmissível de falta de cumprimento dos padrões que, penso eu, apenas beneficia os utilizadores dos produtos da M$, especialmente aqueles que usam um dos maiores buracos na segurança de todos os tempos – Internet Explorer!
Mas isto sou eu a pensar porque felizmente não utilizo uma coisa destas há imenso tempo.
“O apoio da DGIDC/ECRIE a este concurso limita-se tão só à divulgação desta iniciativa, como apoia e divulga tantas outras, independentemente das ferramentas que as suportam, desde que considere que servem os propósitos da Escola.”
Esta foi a resposta da DGIDC/ECRIE.
“O apoio da DGIDC/ECRIE a este concurso limita-se tão só à divulgação desta iniciativa, como apoia e divulga tantas outras, independentemente das ferramentas que as suportam, desde que considere que servem os propósitos da Escola.”
Esta foi, sucintamente, a resposta da DGIDC/ECRIE.
Posso sugerir que solicitem à Microsoft que corrijam adequadamente a seguinte frase?
É que isto não é apenas divulgação.