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DRM não funciona e prejudica-nos

Publicado em 25 de Junho, 2007, por Rui Seabra

Num blog de alguém que se declarou marcadamente pró-, pode ser lida uma lista de problemas a resolver para o DRM funcionar. O “elefante branco no meio da sala” que essa pessoa não quer ver é que a lista de problemas não é solúvel (e quase dá para prová-lo matematicamente). A saber:

  1. todos os sistemas DRM até hoje são vulneráveis, e nenhum sistema popular de DRM mainstream conseguiu até hoje ser invulnerável
  2. limitam a experiência do utilizador perante aquilo a que está habituado no mundo analógico
  3. não está disponível em todas as plataformas
  4. DRMs como o do iTunes são uma farsa que os produtores de conteúdos deveriam desconsiderar por não ser robusto
  5. Os utilizadores não foram tidos em conta sobre o DRM e este não lhes pode ser imposto para reduzir as barreiras de aceitação, aumentando a percepção da sua existência. As associações contra o DRM deveriam focar-se mas nos aspectos positivos que nos aspectos negativos, e a explorar o DRM para desenvolver novos modelos de negócio
  6. falta de interoperabilidade

Por fim conclui achar “que com isto consegue-se perceber que os actuais DRM são muito limitados.”

Isto peca sobretudo por uma demonstrada falta de compreensão da tecnologia digital.

  1. Se pode ser ouvido/visto pode ser copiado. Os proponentes do DRM vivem num mundo da fantasia onde se acredita ser possível impedir de fazer tal. Pode-se causar mais dificuldades ou menos dificuldades, mas os contrafactores em massa e em escala comercial conseguem sempre compensar os custos de contornar as barreiras artificiais.
  2. A experiência do utilizador no mundo digital não tem de ser diferente da experiência no mundo analógico com a devida excepção das diferenças tecnológicas. A partir do momento em que são criadas barreiras artificiais, está-se a alterar a experiência do utilizador. A única forma de não a alterar é não introduzir barreiras artificiais.
  3. O custo para o DRM estar disponível em todas as plataformas é inversamente proporcional à quantidade e evolução das plataformas. Como a tecnologia não para e há cada vez mais plataformas, o custo tende para ser sempre para aumentar.
  4. Concordo, o DRM do iTunes é uma farsa, e deveria ser trocado por um DRM que se notasse mais, pois assim não teria durado tanto tempo até começar a atingir a maioria das pessoas (quando começaram à procura de players de MP3 mais baratos e não conseguiam tocar as músicas que compraram). Assim que a EMI colocou músicas em MP3 com maior qualidade de som que as versões com DRM, sem qualquer DRM embutido, as vendas dessas músicas aumentaram significativamente, mais uma vez demonstrando a ausência de necessidade do DRM.
  5. Os utilizadores NUNCA serão tidos em conta. O propósito do DRM é maximizar os lucros das editoras/distribuidoras, não o de melhorar a experiência dos utilizadores. O DRM nunca terá sucesso no seu objectivo se tiver em conta os desejos dos utilizadores, pois são completamente contrários aos desejos dos promotores do DRM. Logo na melhor das hipóteses irão fingir escutar as opiniões dos utilizadores. Não existe nenhum aspecto positivo do DRM, porque o DRM é imposto aos utilizadores, e não algo no seu controlo, logo alegar que entidades como a Free Software Foundation ou a ANSOL deveriam aumentar a percepção dos lados positivos é um falso argumento, com o objectivo de tentar fazer estas entidades parecerem extremistas que não querem saber de mais nada. Em resposta a isto apenas se constatam os factos: o DRM tem estado a ser imposto por quem?
  6. O DRM NUNCA será interoperável. Para ser interoperável significa que vai ter que ter uma especificação para poder ser implementado noutras plataformas. Existindo uma especificação, alterar o software para ignorar as restrições impostas pelo DRM é um passo quanticamente pequeno anulando qualquer “protecção” que o DRM pudesse criar aos modelos de negócios dos extorcionistas.

Por estes motivos se conclui que o DRM não é apenas actualmente limitado. O próprio princípio do DRM é limitado! Não é possível remover estas limitações sem efectivamente anular o DRM, fazendo com que este não tenha qualquer sentido em existir uma vez que só vai piorar a situação actual, sem qualquer benefício extra excepto para info-excluídos que não percebem que o que desejam não é possível.

Os utilizadores legítimos que querem usufruir dos seus direitos legalmente consagrados perdem o controlo de dados legitimamente obtidos seus nos seus próprios equipamentos, logo são os únicos prejudicados com o DRM, uma vez que passam a ter que violar a lei para usufruir de direitos. Isto é uma aberração legal que tem de ser combatida.

Em vez de gastar rios de dinheiro em tecnologia que não funciona, os promotores do DRM deveriam preocupar-se em alterar o seu modelo de negócio para sobreviver na era digital, caso contrário espera-lhes o mesmo destino dos dinossauros, a extinção.

Por isso meu caro colega blogger, não pode certamente estar a ser honesto na sua tese se está a tentar convencer-nos de que existe um DRM mágico cujas restrições funcionam e que ao mesmo tempo é bom para os utilizadores. No velho Oeste tratavam-se intrujões desses com alcatrão e penas (nota: não advogo esta prática) :)

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Categoria: Sem categoria | 33 comentários »
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33 comentários

Carlos Serrao, em

Meu caro amigo… eu posso ser tudo, menos desonesto intelectualmente.
Por outro lado, você não me conhece pessoal, nem profissionalmente para afirmar “Isto peca sobretudo por uma demonstrada falta de compreensão da tecnologia digital”. Mas pronto, falar por falar é fácil…
Por outro lado, você apenas pensa em DRM = música e filmes. Mas existem tantas outras utilizações de DRM… nomeadamente em ambiente corporativo.
Mas pronto, fiquemos por aqui…

[...] do meu post aqui sobre a minha posição face ao DRM, eu já esperava reações ao [...]

yah, em

É por causa de posts destes que nunca irão arranjar massa critíca para os vossos propositos. Enfim, houvesse gente mais cordata e menos fanática nestas causas.

Por outro lado, você apenas pensa em DRM = música e filmes. Mas existem tantas outras utilizações de DRM… nomeadamente em ambiente corporativo.

Peço desculpa, tem razão, estou meramente a falar do ponto onde o DRM toca virtualmente todos os cidadãos.

Vamos falar também no software, onde o DRM serve para impedir a instalação de software, deve ter ouvido falar num conceito muito divertido que está em voga já no Windows Vista, chamado Treacherous Computing.

Saiba mais sobre os verdadeiros custos do DRM no Vista.

Quanto ao ambiente “corporate” que tanto apregoa aí… está a falar da possibilidade de seguir um email com instruções superiores para cometer um acto ilegal (como por exemplo destruir documentação comprometedora relativa a um caso ilegal) que se destrói após a leitura? Ou que não pode ser imprimida para que o colaborador-vítima a possa apresentar como prova de estar a ser forçado?

É por causa de posts destes que nunca irão arranjar massa critíca para os vossos propositos. Enfim, houvesse gente mais cordata e menos fanática nestas causas.

Nós não impomos tecnologias ou ideias em ninguém. As pessoas vêm porque querem. E são cada vez mais… normalmente quando não se tem noção que se está a perder algo, não se reage… acha-se os outros “pouco concordatos”, ou até mesmo “fanáticos”… até que de repente nos atinge a nós, e começamos a ver que os outros até tinham razão.

Não se preocupe, anónimo “yah”, não é a falta de gente como você que preocupa quem se importa.

Meu caro amigo… eu posso ser tudo, menos desonesto intelectualmente.

Prefere a alternativa? Escolha: desonestidade ou casmurrice info-excluída, porque o DRM não funciona.

Tudo o que pode alegar para o ambiente “corporate” de uma forma argumentativamente legítima já existe com tecnologias standard e abertas como certificados digitais (OpenPGP ou X.509) sem necessidade de impor conceitos que vão muito para além disso como o proposto pelo DRM na Treacherous Computing, que depende dos computadores passarem a ser caixas fechadas que impedem os utilizadores de os utilizarem para os seus próprios fins, mesmo que claramente protegidos por lei para o fazer.

P, em

Para além de alguns erros ortográficos, o post (http://home.iscte.pt/~cjcs/blog/?p=160) não tem assim tanto interesse; não apresenta nada de novo. A abordagem coitadinho-do-DRM-que-é-tão-bom-mas-está-mal-implementado é um bocado ridícula, porque tenta tapar o sol com uma peneira. Qualquer pessoa compreende facilmente que o DRM não protege os direitos dos autores (apenas das editoras e das distribuidoras) e castra os direitos dos utilizadores. Não serve quem faz nem quem consome, apenas os intermediários.

Carlos Serrao, em

Rui,
será que você não consegue escrever algo sem ofender ninguém?
Alguém aqui escreveu alguma coisa indecorosa, ou faltou-lhe ao respeito?
Discuta as coisas com calma…
Outra coisa que reparei é a dificuldade em usar os conceitos originais -> Treacherous Computing em vez de Trusted Computing, por exemplo. Não percebo isto…
Explique-me lá onde encontrou isto: “sem necessidade de impor conceitos que vão muito para além disso como o proposto pelo DRM na Treacherous Computing”. Onde encontrou que o DRM propôs alguma coisa? Seja específico no que escreve, pois o DRM é um conceito ou uma tecnologia, não propõe nada!!!
Depois cria cenários mirabolantes com emails para destruir informação, isto porque é usado DRM – como se isto já não fosse um cenário possível dos nossos dias mesmo sem DRM.
Rui, você que é um apreciador de standards abertos (aliás como eu), sugiro-lhe que dê uma vista de olhos pelo MPEG-21, pelo Open Mobille Alliance (OMA) ou pelo Digital Media Project (DMP).
Vê como é fácil escrever, sem estar a provocar nem a ofender?
Se quiser aprender, aprenda… senão deixe estar, que fica muito bem.

Carlos Serrao, em

Reparei que o blog SoftwareLivre no Sapo está licenciado sobre a Creative Commons. As lcenças da Creative Commons não são mais do que formas de gerir a propriedade intelectual, e como tal uma “espécie” de DRM-light.
É isso que os sistemas de gestão da propriedade intelectual devem fazer. Conceder direitos e verificar que esses direitos são usados da forma correcta.

será que você não consegue escrever algo sem ofender ninguém?

O Sr. ofendeu-me primeiro ao apelar tão sem vergonha ao uso de tecnologias que foram criadas com o intuito de remover os meus direitos.

Felizmente não funcionam, como você mesmo admite não cumprem (e ainda bem) os seus propósitos. Se cumprissem ainda mais tramado estava! Portanto não tente fazer-se passar por neutro quando evidentemente está a defender o modelo da restrição dos direitos dos utilizadores substituindo-se à lei por recurso a robocops que definem eles mesmos o que podemos ou não fazer.

Outra coisa que reparei é a dificuldade em usar os conceitos originais -> Treacherous Computing em vez de Trusted Computing, por exemplo. Não percebo isto…

Porque são termos “orwellianos”, recuso-me a usar outra coisa que não sejam os verdadeiros nomes desses conceitos.

Se não percebe isso nota-se a sua profundamente alimentada ignorância ou descarada falta de honestidade que certamente se revelará na sua tese. Esse “Trusted” não é para os utilizadores mas sim para os distribuidores de conteúdos. Eles confiam na minha máquina porque a controlam. Eu não. Então na realidade isso trata-se de Treachery em vez de Trust.

Um vídeo que exemplifica muito bem a realidade da Treacherous Computing existe em http://www.lafkon.net/tc/

Depois cria cenários mirabolantes com emails para destruir informação, isto porque é usado DRM – como se isto já não fosse um cenário possível dos nossos dias mesmo sem DRM.

Os cenários que descrevi são funcionalidades desejadas dos ambientes da Treacherous Computing e do DRM.

Reparei que o blog SoftwareLivre no Sapo está licenciado sobre a Creative Commons. As lcenças da Creative Commons não são mais do que formas de gerir a propriedade intelectual, e como tal uma “espécie” de DRM-light.

Isto é da mais pura demagogia orwelliana. Neste momento estou convencido da sua falta de honestidade sobre este tema, e chamo-o abertamente de intrujão.

  1. As licenças não *gerem* absolutamente nada. Em particular a licença deste blog concede direitos para além dos permitidos pelo direito de autor, definem direitos, mas não *gerem* seja o que for.
  2. Do que é que está a falar? Seja claro. Estamos a falar de Direito de Autor e não de conceitos abstractos que almejam criar a confusão sobre diversos direitos de monopólio artificial. Aqui não há “propriedade” alguma para além de um conjunto direitos definidos por lei.

É isso que os sistemas de gestão da propriedade intelectual devem fazer. Conceder direitos e verificar que esses direitos são usados da forma correcta

O tanas, quem define e concede direitos é a Lei, e quem verifica se são ou não usados da forma correcta são as autoridades.

Rejeito a sua visão orwelliana de um big brother que controla o que tenho ou não direito a fazer.

Rui,

Vim aqui com a intenção de ouvir o outro lado da questão e fiquei desiludida com o tom que foi utilizado. Calculo que não se importe absolutamente nada com a minha desilusão, mas calculo que não serei a única.

E se escrevo este comentário não é para o atacar, é apenas para lhe sugerir que outro tipo de escrita talvez leve as suas ideias mais além.

Um MacFan defende sempre outro MacFan, especialmente quando o adversário falar mal de alguma coisa vinda da Apple…

Rui,

É mesmo esse o seu comentário ao meu comentário?! O que é que tem o Mac a ver com a questão? E o Rui é o adversário porquê? Meu não é certamente. Apenas vim aqui ler a sua versão… Nada mais.

(Talvez um dia nos encontremos numa das turtúlias do Prt.Sc e aí lhe possa em viva voz explicar que o que me moveu para aqui foi a curiosidade. Normalmente as conversas face-a-face tendem a ser menos acutilantes.)

Olá MJ, eu sou muito directo e frontal no que digo, e sinto-me mentalmente preparado para defender a minha expressão até ao limite. Não tenho problemas com quem me insulta, é a sua expressão, e não me coíbo de chamar de intrujão a quem vejo estar a tentar enganar outros.

Tendo em conta isso e que a parte que mais “espécie” pode fazer a MacFans é eu desbastar no DRM dos iTunes, pode a MJ nem se ter apercebido disso mas ficou imediatamente condicionada psicologicamente a confundir a frontalidade com falta de polidez.

Mas eu não me preocupo com isso. Não almejo a popularidade.

[...] Link to Article drm DRM não funciona e prejudica-nos » Posted at Software Livre no SAPO on [...]

Rui –

Deixe-me dizer-lhe frontalmente também duas coisas:

1) Por princípio sou contra o DRM e a favor da liberdade dos conteúdos digitais. Isso que não significa que não oiça e compreenda o que os defensores do DRM dizem. Sempre achei que a comparação entre várias opiniões é a base de um bom conhecimento.

2) Sou fã dos Mac, mas não sou fanática. Como todas as máquinas, os Macs erram. (Eu apenas gosto mais de trabalhar neles.)

Vim aqui *verdadeiramente* para ler o seu lado da questão. Li-o. Achei o tom despropositado, mas o conteúdo válido. Apenas lhe disse isso.

Não confundo frontalidade com falta de polidez. Pelo contrário. Como não confundo falta de polidez com falta de conteúdo. Gostaria, todavia, de ter os dois: polidez e conteúdo.

MJ estamos entendidos ;)

Carlos Serrao, em

Olá… sou eu… o “estrujão”…

Se os meus argumentos são “orwellianos” não sei o que se diga disto: “O Sr. ofendeu-me primeiro ao apelar tão sem vergonha ao uso de tecnologias que foram criadas com o intuito de remover os meus direitos.”
Bem, se calhar se me tivesse calado, e não tivesse manifestado a minha posição, provavelmente eu estaria melhor e você também. Isto porque eu não teria ofendido vossa exa. (wanna-be) semi-deus do software livre, e teria poupado o meu tempo.
Por outro lado, você arroga-se o facto de estar 100% do lado da razão. Eu ao menos não penso assim e acho que ambos os lado têm argumentos válidos. Mas pronto, pelo menos deu para perceber o tipo de pessoas que estão à frente de organizações como a ANSOL (odeio generalizações deste género, mas infelizmente sou levado a concluir isto) e do carácter de um dos seus elementos.

Uma vez que você, não consegue colocar um comentário e defender as suas posições com um mínimo de educação, e faz comentários sobre a minha honestidade sem me conhecer de lado nenhum, parece-me que do meu lado esta discussão está encerrada.

Fique bem, no seu mundo “Stallmanista” – vê até sou um tipo que consegue fazer piadas destas.

P, em

Tanta coisa para se chegar a uma conclusão: o DRM é uma MERDA!
A desculpa da protecção dos direitos de autor é um disparate porque o DRM (tal como está implementado actualmente) serve apenas os interesses das editores e dos distribuidores: os direitos dos autores não são protegidos e os direitos dos consumidores são castrados.
Essa treta de vir dizer coitadinho-do-DRM-é-tão-bonzinho-mas-está-mal-aplicado é uma estupidez e é desonesto porque o DRM serve perfeitamente os princípios que lhe deram origem: proteger os interesses das grandes editoras e distribuidoras. Para elas os autores e os consumidores são apenas uns grãozinhos de areia na engrenagem da máquina, nada que umas marteladas não resolvam.
Como autor não vejo como o DRM pode proteger as minhas criações e como consumidor vejo os meus direitos castrados.

Bem, se calhar se me tivesse calado, e não tivesse manifestado a minha posição, provavelmente eu estaria melhor e você também.

Eu prefiro sempre que as pessoas exerçam a liberdade de expressão. Agora as pessoas têm de estar preparadas para ver a sua expressão criticada por aqueles que discordam.

Por outro lado, você arroga-se o facto de estar 100% do lado da razão. Eu ao menos não penso assim e acho que ambos os lado têm argumentos válidos.

Falso “moderado”. Você fala de que existem lados positivos no DRM mas só se queixou do DRM não estar a conseguir funcionar como desejado. O extremista aqui é você que apoia marcadamente uma gestão danosa dos nossos direitos legais.

Mas pronto, pelo menos deu para perceber o tipo de pessoas que estão à frente de organizações como a ANSOL (odeio generalizações deste género, mas infelizmente sou levado a concluir isto) e do carácter de um dos seus elementos.

Você é que sabe o que quer concluir de seja o que for, começou logo por posicionar-se marcadamente num campo que é directamente antagónico aos direitos dos utilizadores, e agora que se vê criticado tão mordazmente faz-se passar por moderado, tentando com isso fazer valer a “honestidade” do equilíbrio da sua posição.

Uma vez que você, não consegue colocar um comentário e defender as suas posições com um mínimo de educação, e faz comentários sobre a minha honestidade sem me conhecer de lado nenhum, parece-me que do meu lado esta discussão está encerrada.

Faz parte dos preceitos de educação respeitar os direitos dos outros, e os proponentes do DRM defendem a remoção de direitos dos utilizadores. Agora pretende fazer-se passar por educado. Falso.

Fique bem, no seu mundo “Stallmanista” – vê até sou um tipo que consegue fazer piadas destas.

Só para quem odeia os direitos dos utilizadores é que um mundo “Stallmanista” é um insulto. Agradeço o seu elogio, contudo.

Carlos Serrao, em

Se para si, criticar é chamar os outros de intrujões, de desonestos, etc. então não…não estou preparado para ser criticado.

Se alguém durante esta discussão exibiu contornos de extremista, foi você. Mas acho que o que está e foi escrito não deixa margem para dúvidas sobre isso.

Eu já percebi qual o seu problema. O seu problema é que precisa de adversários fortes, que lhe dêem gozo, e que sofram do mesmo fundamentalismo que você. Quando apanha uma pessoa pela frente que consegue perceber os argumentos de ambas as partes, isso é ser um falso moderado. Ou seja, ficaria feliz, se eu viesse aqui com uma visão fundamentalista como a sua e que lhe chama-se igualmente de intrujão. Isso sim, isso era o que lhe daria prazer. Mas não farei.

Se acredita nesse mundo “Stallmanista”, então quem está desfasado da realidade é você e não eu.

Com isto termino.

Se lhe continuar a dar prazer, ofender a tudo e a todos que não concordam com a sua opinião, faça-o. Mas não conte comigo.

Diogo, em

O DRM tem vários outros problemas muito mais graves:

* Todos os esquemas actuais de DRM, violam o Código de Direito de Autor e Direitos Conexos. E isto já depois desse código ter sido alterado para poder acomodar a existência do DRM, e a sua protecção legal.

* O DRM impede na prática que as obras entrem em domínio publico, após ter espirado o periodo previsto na lei, na qual os detentores de diretios de autor, têm direitos exclusivos. A forma criada para evitar isto é incomoda para os utilizadores (dá-lhes mais trabalho para terem algo que já deveriam ter), cria dependência dos utilizadores no funcionamento de uma entidade (estádo), não está a funcionar (não tenho conhecimento que os autores estejam a depositar as obras sem o DRM como está previsto na lei, para o casos em que estão a distribuir publicamente com DRM).

* É invalidado pelo licenciamento da sua implementação como Software Livre.
O princípio do DRM é retirar controlo ao utilizador, o princípio do Software Livre é dar controlo, e por isso são incompatíveis.
Licenciar implementações de DRM como Software Livre é a mesma coisa que eliminar o DRM. E não é aceitável que se obrigue as pessoas a utilizar software não livre, para aceder às obras.

* O direito de autor concede um conjunto de direitos de utilização livre e cópia para o uso privado, que são impedidos na prática pelo DRM, fundamentando mais uma vez a ilegalidade do DRM.

* controlar a utilização por parte das pessoas, é algo extremamento intrusivo, algo que eu nunca irei aceitar. Não concedo a ninguém o direito de controlar o que faço com o que compro, só por ser autor, ou deter direitos de autor. Para mim a relação termina quando eu pago pela obra, ou quando me ofereceram a obra.
Se quando compro outras coisas ninguém me diz como é que posso utilizar, porque é que raio os criadores intelectuais têm a mania que são mais que os outros. É apenas um complexo de superioridade.

Para além disso, o intelectuo não tem dono. Por isso falar de propriedade intelectual é certamento um abuso.
Existem vários direitos exclusivos e limitados, que são temporáriamente concedidos pelo estado, para criar monopolios temporários à exploração comercial de obras artisticas (e de outras naturezas), métodos industriais inovadores, marcas distintivas, etc… Mas são bastante diferentes entre si, e não são direitos de propriedade sobre o intelectuo.
Não há tal coisa como direitos de propriedade intelectual.

Dar controlo do DRM aos utilizadores é derrotar o único propósito do DRM.

É claro que o DRM não será interoperável, porque quem o implementam são entidades que detêm monopólios, ou que os querem ter. E por isso a gestão de direitos, é o disfarce com que eles vão introduzir mecânismos que apenas têm como objectivo impedir a interoperatibilidade entre sistemas.

DRM é legislar pela técnica. É uma perversão que ameaça a democracia e o estádo de direito.

Enquanto houver vontade, os sistemas de DRM vão ser sempre quebrados. E para isso basta uma pessoa com algum tempo. Daí que o DRM só é aplicado aos que já cumpririam a lei, os outros continuaram a abusar da lei e tornar o DRM completamente inutil.

Os custos de implementar e usar DRM são enormes e ainda mais são garantir o mínimo de eficácia (estou a falar de milhares de milhões de euros em alguns casos). É um desperdicio de dinheiro que poderia estár a ser investido a adquirir vantagens competitívas pelas quais os consumidores estariam dispostos a pagar.
O facto de se utilizar implementações de DRM que sejam licenciadas como Software Livre, não faz com que os custos sejam 0, há mais custos que o licenciamento do software.

O DRM também é copy protection, porque esse é um dos vários direitos que podem ser geridos.

Já há leis a regular o direito de autor, não é preciso DRM para NADA!!!

Partilhar ficheiros em redes P2P por si só, não viola lei nenhuma. Só quando não foi dada permissão de re-distribuição das obras é que há violação de direito de autor (não do inexistente direito de propriedade intelectual).

Um dos problemas é que por o direito de autor, se chamar assim, e não privilégio de autor, os autores, arrogam-se em direitos que não têm. Apenas têm alguns privilégios limitados que o estado concede temporáriamente para incentivar a criação de obras.

Gil Brandao, em

Que grande discussão… FIXE :)

Eu venho só dar o meu contributo:

Vivemos hoje gloriosos dias nesta sociedade que se auto-proclama de avançada. Depois de séculos de ditaduras e opressão na sociedade ocidental deu-se a explosão das democracias ocidentais: “viva a liberdade”. A verdade é que não houve muita gente preocupada com esse termo (a ONU tem uns direitos fundamentais que no meu ver estão muito relacionados mas desconheço de algum país que os verdadeiramente tente respeitar). Com a “liberdade” vem: POSSO fazer o que quero, desde que nenhuma autoridade dê por isso. Com as novas tecnologias houve um boom do posso instalar o que quiser até porque ninguém sabe e a pirataria veio a atrás. As pessoas só estão interessadas NESSA liberdade pirata e por isso nem pensam no conceito, muito menos aplicado no mundo digital. Creio que contra o DRM em si não há muito a fazer senão vê-lo falhar. Mas será difícil! Recentemente a BBC abraçou a tecnologia DRM, deixando de fora todos os non-MS (quem quiser aceder aos conteúdos que compre o Windows, tem liberdade para o fazer) mas não se importaram com que alguns dos seus potenciais utilizadores teriam de dizer SIM ao EULA, coisa que até pode ir contra a ética desses utilizadores (but who cares??? é só carregar na mer** do butão: “não és menos livre por isso”).

Acredito que é preciso alertar para que a liberdade está em causa! O DRM é só um reflexo disso. Já agora: assusta-me como o governo assumiu um protocolo com a MS sobre uso de DRM nos TFC… o que vale é que cada instituição tem uma cópia em papel que qualquer pessoa pode ir ver às respectivas bibliotecas: o conhecimento é para ser aberto e não enclausurado. Se o famoso E=mc^2 ou F=ma estivessem protegidos por DRM, queria ver como é que era…

TFC? De que falas, Gil?

Gil Brandao, em

tenho de ir à procura: acho que foi num dos vossos posts com referência ao link acordos do governo com a MS. TFC==trabalho de fim de curso (ou em pos-bolonha:TESE)

Gil Brandao, em

Essa foi a minha interpretação. Da minha experiência só um TFC tem peso para se pensar em tal aberração.

http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Primeiro_Ministro/Documentos/20060201_PM_Doc_Memorando_Microsoft.htm

16. Apoio à divulgação de trabalhos académicos e artísticos com salvaguarda da propriedade intelectual: Será disponibilizado pela Microsoft, através da Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN), uma plataforma para partilha e divulgação de trabalhos artísticos produzidos, designadamente, por estudantes do ensino superior no âmbito dos seus cursos (e.g. filmes, música), que assegure a protecção dos direitos de propriedade intelectual, com base na tecnologia DRM (Digital Rights Management) da Microsoft. Esta tecnologia e o apoio técnico correspondentes serão fornecidos pela Microsoft. (Entidade: Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior)

Carlos Serrao, em

@Gil
Bonito. A tecnologia da MS é tudo menos interoperavel.

[...] na blogosfera uma discussão sobre DRM. Podem ler aqui, as opiniões de alguém pró-DRM e aqui a refutação dos seus [...]

[...] do meu post aqui sobre a minha posição face ao DRM, eu já esperava reações ao [...]

[...] do meu post aqui sobre a minha posição face ao DRM, eu já esperava reações ao [...]