DRM não funciona e prejudica-nos
Num blog de alguém que se declarou marcadamente pró-DRM, pode ser lida uma lista de problemas a resolver para o DRM funcionar. O “elefante branco no meio da sala” que essa pessoa não quer ver é que a lista de problemas não é solúvel (e quase dá para prová-lo matematicamente). A saber:
- todos os sistemas DRM até hoje são vulneráveis, e nenhum sistema popular de DRM mainstream conseguiu até hoje ser invulnerável
- limitam a experiência do utilizador perante aquilo a que está habituado no mundo analógico
- não está disponível em todas as plataformas
- DRMs como o do iTunes são uma farsa que os produtores de conteúdos deveriam desconsiderar por não ser robusto
- Os utilizadores não foram tidos em conta sobre o DRM e este não lhes pode ser imposto para reduzir as barreiras de aceitação, aumentando a percepção da sua existência. As associações contra o DRM deveriam focar-se mas nos aspectos positivos que nos aspectos negativos, e a explorar o DRM para desenvolver novos modelos de negócio
- falta de interoperabilidade
Por fim conclui achar “que com isto consegue-se perceber que os actuais DRM são muito limitados.”
Isto peca sobretudo por uma demonstrada falta de compreensão da tecnologia digital.
- Se pode ser ouvido/visto pode ser copiado. Os proponentes do DRM vivem num mundo da fantasia onde se acredita ser possível impedir de fazer tal. Pode-se causar mais dificuldades ou menos dificuldades, mas os contrafactores em massa e em escala comercial conseguem sempre compensar os custos de contornar as barreiras artificiais.
- A experiência do utilizador no mundo digital não tem de ser diferente da experiência no mundo analógico com a devida excepção das diferenças tecnológicas. A partir do momento em que são criadas barreiras artificiais, está-se a alterar a experiência do utilizador. A única forma de não a alterar é não introduzir barreiras artificiais.
- O custo para o DRM estar disponível em todas as plataformas é inversamente proporcional à quantidade e evolução das plataformas. Como a tecnologia não para e há cada vez mais plataformas, o custo tende para ser sempre para aumentar.
- Concordo, o DRM do iTunes é uma farsa, e deveria ser trocado por um DRM que se notasse mais, pois assim não teria durado tanto tempo até começar a atingir a maioria das pessoas (quando começaram à procura de players de MP3 mais baratos e não conseguiam tocar as músicas que compraram). Assim que a EMI colocou músicas em MP3 com maior qualidade de som que as versões com DRM, sem qualquer DRM embutido, as vendas dessas músicas aumentaram significativamente, mais uma vez demonstrando a ausência de necessidade do DRM.
- Os utilizadores NUNCA serão tidos em conta. O propósito do DRM é maximizar os lucros das editoras/distribuidoras, não o de melhorar a experiência dos utilizadores. O DRM nunca terá sucesso no seu objectivo se tiver em conta os desejos dos utilizadores, pois são completamente contrários aos desejos dos promotores do DRM. Logo na melhor das hipóteses irão fingir escutar as opiniões dos utilizadores. Não existe nenhum aspecto positivo do DRM, porque o DRM é imposto aos utilizadores, e não algo no seu controlo, logo alegar que entidades como a Free Software Foundation ou a ANSOL deveriam aumentar a percepção dos lados positivos é um falso argumento, com o objectivo de tentar fazer estas entidades parecerem extremistas que não querem saber de mais nada. Em resposta a isto apenas se constatam os factos: o DRM tem estado a ser imposto por quem?
- O DRM NUNCA será interoperável. Para ser interoperável significa que vai ter que ter uma especificação para poder ser implementado noutras plataformas. Existindo uma especificação, alterar o software para ignorar as restrições impostas pelo DRM é um passo quanticamente pequeno anulando qualquer “protecção” que o DRM pudesse criar aos modelos de negócios dos extorcionistas.
Por estes motivos se conclui que o DRM não é apenas actualmente limitado. O próprio princípio do DRM é limitado! Não é possível remover estas limitações sem efectivamente anular o DRM, fazendo com que este não tenha qualquer sentido em existir uma vez que só vai piorar a situação actual, sem qualquer benefício extra excepto para info-excluídos que não percebem que o que desejam não é possível.
Os utilizadores legítimos que querem usufruir dos seus direitos legalmente consagrados perdem o controlo de dados legitimamente obtidos seus nos seus próprios equipamentos, logo são os únicos prejudicados com o DRM, uma vez que passam a ter que violar a lei para usufruir de direitos. Isto é uma aberração legal que tem de ser combatida.
Em vez de gastar rios de dinheiro em tecnologia que não funciona, os promotores do DRM deveriam preocupar-se em alterar o seu modelo de negócio para sobreviver na era digital, caso contrário espera-lhes o mesmo destino dos dinossauros, a extinção.
Por isso meu caro colega blogger, não pode certamente estar a ser honesto na sua tese se está a tentar convencer-nos de que existe um DRM mágico cujas restrições funcionam e que ao mesmo tempo é bom para os utilizadores. No velho Oeste tratavam-se intrujões desses com alcatrão e penas (nota: não advogo esta prática)
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