iLiteracia digital: Governo promove plano discriminatório
É com este título que Paulo Querido, jornalista do Expresso, descreve o programa de (i)Literacia Digital desenvolvido pela Microsoft, e mais uma vez apoiado fortemente pelo Governo: “Trata-se dum pequeno passo para cada beneficiário, mas significa um grande avanço para Portugal.”, diz Carlos Zorrinho o Coordenador do Plano Tecnológico.
E porque é um grande avanço para Portugal? Será…
- pela «discriminação de uma empresa que, não por acaso, já foi sancionada pelos Estados Unidos da América e pela União Europeia por práticas monopolistas»?
- por apenas se encontrarem autorizadas a «visualizar estes “cursos” as pessoas que usem software da Microsoft»?
- por se ensinar aos jovens que só existe software da Microsoft?
- por se punir o técnico do suporte quando (puro sacrilégio) instalou um browser que não seja o Internet Explorer, ficando com a solitária culpa dos inocentes alunos não poderem mostrar a sua (i)Literacia?
- pela «submissão ao parceiro pagante, ao ponto de não ter tido, sequer, o cuidado de estabelecer fronteiras»? Se a Microsoft paga tudo, deve o Governo submeter-se e aceitar tudo?
- por excluir cerca de um quarto dos cibernautas portugueses, que não utilizam Internet Explorer?
Atenção! Não estamos a falar de uma respeitável empresa qualquer, que tivesse ganho algum concurso público do Estado. Estamos a falar de uma empresa cujo «passado merece a atenção redobrada por parte de qualquer governo».
PQ acrescenta: «Segundo a fonte oficial, este curriculum constitui a base de aprendizagem e certificação dos formandos do Programa Novas Oportunidades, podendo estes com ele obter o certificado em Tecnologias da Informação e Comunicação (de nível II, com reconhecimento oficial do 9ºano de escolaridade).
Isto é grave. É gravíssimo. Vejamos o que isto significa sobre o conteúdo do programa de TIC:
Quer conversar com os amigos através da Internet. Que programa tem de instalar para tal?
- Microsoft Windows Messenger
- Microsoft Office Excel 2003
- Microsoft Office Word 2003
- Microsoft Paint
Numa pergunta o Governo faz publicidade a 4 em 4 produtos da Microsoft.
Mais uma:
O seu amigo quer obter mais informações sobre o Microsoft Office FrontPage 2003. Qual dos seguintes termos utilizaria para descrever o Frontpage?
- Ferramenta de gráficos
- Folha de calculo
- Browser
- Ferramenta de criação de conteúdos na web
E que tal ferramenta cuja licença não permite construir páginas com conteúdos que critiquem a Microsoft ou suas empresas associadas?
Ou ainda:
Pretende utilizar a Internet para ver uma lista de filmes recentes. Qual dos seguintes dispositivos deverá utilizar para aceder à Internet?
- Livro de Enderecos Bloco de notas da Microsoft
- Microsoft Paint
- Browser da web
Mais publicidade a produtos Microsoft… de aplaudir a forma como pelo menos não admitiram abertamente Microsoft Internet Explorer, uma vez que se utilizarmos um browser qualquer que não o Internet Explorer, nem esta pergunta seria possível responder…
E outra gira:
Está a trabalhar num trabalho para criar um Web site. Qual dos seguintes programas utilizaria para criar páginas Web para o Web site?
- Microsoft Office Excel 2003
- Microsoft Office FrontPage 2003
- Microsoft Office PowerPoint 2003
- Microsoft Paint
Francamente, não se compreende, tal como não é compreensível que, sendo isto já do conhecimento do Responsável do Plano Tecnológico, não haja um imediato distanciamento de tal mancha negra de iliteracia.
Se tentar iniciar o curso tenho o seguinte resultado:

Se tentar iniciar a avaliação, ao responder à primeira pergunta tenho o seguinte resultado:

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Temas: Governo, Lock-in, Monopolsoft



[...] PS: Peço desculpa mas estou de tal forma ultrajado com isto que não consigo sequer apresentar correctamente um caso contra eles. Recomendo que leiam o que está no Software Livre no Sapo. [...]
Mas que atraso mental é que vem a ser este? Este governo anda a embrulhar-se em cobertores de merda como nunca visto. Incrível.
Por que raio é que estas argoladas não são mais divulgadas? Não há nenhum lobby decente que meta isto em todos os jornais e a abrir os telejornais das 20h já hoje?
Postei uma opinião sobre este tema em:
http://ta-mal.blogspot.com/2007/06/o-mercado-tem-de-se-auto-regular.html
Realmente parece-me mais interessante o governo ensinar Nvu, Abiword e afins porque quando as crianças forem trabalhar para as empresas todos os pcs terão esses programas ao invez dos da Microsoft (not)…
Eu acho que ensinar-lhes o Nvu, Abiword e afins é apenas melhor no sentido de ser Software Livre em vez de software proprietário.
É importante também que aprendam que podem participar no desenvolvimento do software, que não têm de ser meros utilizadores.
Se tiverem jeito para arte, podem criar sons, grafismos, etc…
Se tiverem jeito para programar, podem fazer modificações mais fortes.
Se têm jeito para letras, podem ajudar a documentar, a traduzir, etc…
Enfim, que existe um mundo no qual não se limitam a utilizar os resultados de uns illuminatti anónimos, mas que também podem eles mesmos participar.
E é isso que a Microsoft não quer, e que leva o Governo a não querer por transitividade.
És o maior… Fazes tudo e mais alguma coisa, mas a unica coisa que se vê a Ansol a fazer, é conferências da tanga… Aonde é que está o tal prometido pacote de software, tão badalado após os anúncios da parceria com a MS há uns tempos atrás ?
A tua frustração com o sucesso dos outros é tão grande, que tentas disfarçar com as tangas da liberdade e do software livre… Mas, esse tua cabecinha cheia de cáca, não consegue olhar-se ao espelho e perceber isso mesmo.
Bora lá por todo o país a programar, é só por software livre aos putos, que eles vão desatar a programar… AHAHAHAHAHHA
YOU Fuckin’idiot!
Caro Joãozinho,
Refere-se a esta proposta que foi enviada a vários ministérios (temos os registos dos FAXes para o provar)?
http://blog.softwarelivre.sapo.pt/2006/02/01/software-livre-para-ligar-os-portugueses/
O único Ministério que nos deu ouvidos foi o Ministério da Educação, que teve como resultado o CD do CRIE:
http://blog.softwarelivre.sapo.pt/2007/04/15/cd-sl-nas-escolas/
Quanto ao seu comentário absurdo de que “é só por software livre aos putos, que eles vão desatar a programar… AHAHAHAHAHHA”, acho que ainda não atingiu que para participar na Sociedade da Informação de forma activa não é necessário saber-se programar.
O que é curioso é que eu descrevo precisamente várias formas de participar na Sociedade da Informação sem sequer necessitar saber programar.
Mas provavelmente o Joãozinho acha que os Portugueses devem seguir o seu exemplo: ser passivo.
Oh Joãozinho entao propoes baixar ainda mais as calças, fechar os olhos e rezar pelo melhor? Ah, esqueci-me da parte de enfiar a cabeça na areia.
Pensa só que infoanalfabetos essa geração de putos ira dar e diz-me se isso não te causa um frio na espinha.
Quanto ao sucesso dos outros, meu caro, vives em Portugal ou estás num pais desenvolvido? É que em Portugal o grande sucesso dos outros costuma ser fruto de:
* Luvas
* Trafico de influencias.
* Pessoas e entidades levadas ao colo para onde está o $$$.
* Show off
* intereferencia dos privados na politica e vice-versa, fruto dos dois primeiros pontos.
As pessoas envolvidas em SL podem fazer pouco, mas certamente fazem mais do que tu, e proporcionalmente muito mais do que estas corporações que não precisam de produzir trabalho, pois usam todos os pontos acima referidos.
Para o André Costa: Sim, e quando algum miúdo sem posses monetárias quiser iniciar o seu próprio negócio, tem de pagar à Microsoft porque só percebe Microsoftês…
Ao invés, quem aprender a trabalhar com FLOSS, sabe como funciona, pode usá-lo sem qualquer custo, pode adaptar o programa às suas necessidades… enfim… tens o direito de renunciar à tua liberdade, mas não tens o direito de negar as liberdades dos outros. Se queres ficar aí na tua toca escondido do mundo real (sim, porque todos os grandes programas e pacotes informáticos (UNIX, LaTeX, X Windows, …) foram desenvolvidos em grupos e universos que são tudo menos Microsoft).
BTW: esse link para o artigo está mal escrito.
É sempre bom que aqueles que se opõem ao Software Livre, também manifestem a sua opinião aqui. Saúdo os que já o fizeram. Afinál de contas quem acredita na liberdade, acredita na liberdade de expressão.
Não cabe ao governo educar e treinar as pessoas de acordo com as escolhas do mercado. A acção do governo deve ser educar e treinar as pessoas de forma a que tenham competências independentemente das escolhas do mercado.
Se as escolhas do governo ficarem dependentes das escolhas do mercado, então criamos alguns problemas:
* o estado passa a estar a deturpar o mercado. Pois o mercado tende a escolher aquilo que já conhece e para o qual já tem competências (por uma questão de gestão de custos e retorno de investimento anterior).
* o estado passa ele próprio a criar mercado para empresas especificas em detrimento de outras empresas. É que ao contrário do que acontece com o software proprietário, todas e quaisquer empresas podem envolver-se TOTALMENTE com o Software Livre. Dou como exemplos:
– a micro$oft, que vende contratos para produtos/serviços relacionados com as distribuições de GNU/Linux da Novell;
– a sun e IBM que vendem produtos proprietário e também prestam serviços relacionados com o Software Livre;
Ou seja, acaba-se o mercado livre!
A educação, formação e treino que está a cargo do estado deve ser o mais independentede tecnologias especificas possível, e sempre que for necessário utilizar algo especifico, deve-se fazer utilizando ferramentas que estejam disponíveis a TODOS de forma a potênciar mais as necessidades e possibilidade didáticas, bem como o não haver qualquer limitação sobre a possibilidade de qualquer um prestar qualquer serviço, ou criar qualquer produto relacionado, ou seja, deve-se utilizar Software Livre.
Dos logotipos “Plano Tecnológico”, MTSS, Ministério da Educação, não há provavelmente nada de novo a dizer.
Mas, já agora, porque que é que ao fundo de http://www.literaciadigital.pt/main.html está o logotipo da FCCN e “Com o apoio:”? De que apoio da FCCN precisa a MSFT para fazer algo tão profundo? Bom, parece que pelo menos aa páginazinhas introdutórias estão alojadas na FCCN (193.136.2.207, juno.fccn.pt).
Precisava? Recado à FCCN por ordem de quem? É para o sítio web ficar mais ‘neutro’ face a uma empresa?
Nuno: obrigado!