[Actualização] Governo e Microsoft: mas que casamento é este e porque raio tenho de pagar o copo de água?!?!?!?
Governo contrata Microsoft sem concurso em projecto milionário, remove oportunidades à concorrência portuguesa e relega o ensino e desenvolvimento de competências à mera formação Microsoft.
ACTUALIZAÇÃO:
ACTUALIZAÇÃO: na realidade são 240k, apesar do que alguns artigos noticiosos estão a espalhar, provavelmente graças ao título que aparece em:
Computadores e banda larga para meio milhão de portugueses
Com efeito, a Microsoft apenas está envolvida no Programa e-Escola, que
afecta 240 mil alunos.
O Press Release abaixo já tem os dados corrigidos
A parte do “Programa Novas Oportunidades” apresentada hoje pelo Governo simboliza problemas sérios o nível da transparência nas opções de investimento público, retira a oportunidade de participação da indústria de software nacional no mercado livre, retira oportunidade da comunidade pedagógica do secundário de ser mais que mera formação de produtos Microsoft, e atrofia as oportunidades de desenvolvimento de competências portuguesas essenciais à participação na Sociedade da Informação.
Onde está a democraticamente essencial transparência governamental na opção dos investimentos quando o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações aloca sem qualquer concurso público os fundos que dispõe como resultado das obrigações a que vinculou as operadores portuguesas de telecomunicações UMTS a uma só empresa de software?
Não tendo sequer feito um concurso, o Governo privilegiou unilateralmente a Microsoft contra a indústria nacional. Optou sem qualquer justificação por uma empresa condenada por abuso de poder de monopólio nos EUA e na União Europeia, eventualmente premiando o apoio da Microsoft à Presidência Portuguesa da União Europeia.
Só em software da Microsoft, 240 mil licenças de Microsoft Windows Vista e Microsoft Office representam os seguintes custos[1]:
- 240 mil licenças de Microsoft Windows Vista Home BasicN Português DVD, 256,57€, resultam em mais de 61 milhões de Euros (61.576.800€)
- 240 mil licenças de Microsoft Office Home and Student 2007 Português OEM, 128,51€, resultam em mais de 30 milhões de Euros (30.842.400€)
Mesmo que existisse a oferta do software, seria um presente envenenado cobrado várias vezes à economia portuguesa no futuro a médio e longo prazo. Em alternativa, o governo podia simplesmente ter recorrido a protocolos já existentes para obter um sistema operativo livre e gratuito (Alinex) e que, em termos de funcionalidades é bastante superior ao Microsoft Windows, uma vez que inclui milhares de aplicações gratuitamente. Dessa forma ofereceria o reconhecimento merecido ao trabalho da Universidade de Évora e todos os que têm construído aplicações e negócios à volta dela. O mesmo se aplica a outros esforços nacionais como o projecto Caixa Mágica.
O governo poderia ter optado pela economia nacional e o desenvolvimento de competências nacionais: a real base de desenvolvimento da Sociedade de Informação. Não o faz, integrando-o num programa ironicamente chamado “Novas Oportunidades”. Prefere escolher algo que levará a um desequilíbrio continuado da balança comercial com os exportadores portugueses a terem de arranjar forma de compensar fluxos de dezenas de milhões de euros anuais atirados para fora do país.
A adopção de Software Livre pelo Estado permitiria efectuar poupanças anuais de várias dezenas de milhões de euros, o que permitiria não só financiar acções de formação tecnológica para os Portugueses, como reduzir as despesas públicas. A ANSOL propôs-se a colaborar com o Governo Português no cálculo exacto das poupanças que se poderão realizar deste modo, mas não teve a oportunidade de ser ouvida como a Microsoft.
Porque se escolhe o Microsoft Office, que é pago agora, e/ou no futuro quando os alunos aprenderem a utilizar, e tiverem de comprar novas versões para o mercado profissional, uma vez que as versões para o Ensino não podem ser utilizadas com finalidade comercial? Porque não se optou por alternativas mais baratas, e até nalguns casos mais poderosas?
Porque optou o Governo por relegar as cadeiras de Tecnologias de Informação e Comunicação a meras agências de formação Microsoft? Termina aí a responsabilidade do Ensino na Sociedade da Informação?
A opção por Software Livre (com a liberdade para cada utilizador de aprender como funciona) permitiria aos estudantes a possibilidade de participação activa no desenvolvimento da Sociedade da Informação, contudo claramente a preferência foi remover esta oportunidade ao optar por tecnologias que proíbem a partilha e desenvolvimento de competências nesta área.
Em Fevereiro de 2006, a ANSOL propôs ao Governo (publicamente e através de contactos estabelecidos com diversos ministérios) apoio para “Usar o Software Livre para Ligar os Portugueses” oferecendo colaboração ao Governo numa acção que eleve o nível tecnológico dos Portugueses, no espírito do Plano Tecnológico e do programa Ligar Portugal, como por exemplo a criação e distribuição de um pacote de Software Livre em Português, pelas Escolas, Câmaras Municipais e Pequenas e Médias Empresas[2].
Para além do silêncio, só tivemos duas respostas:
* Carlos Zorrinho, o responsável do Plano Tecnológico, disse no IV Encontro Nacional de Tecnologia Aberta em 2006 que a ANSOL não poderia trabalhar ao nível do governo, e para investir apenas em pequenas iniciativas a níveis mais baixos.
* A proposta de criação de um CD com Software Livre de apoio ao ensino foi aceite pelo Ministério da Educação e resultou no CD do projecto CRIE[3].
Porque não nos querem deixar fazer mais?
[1] http://www.minfo.pt/
[2] http://blog.softwarelivre.sapo.pt/2006/02/01/software-livre-para-ligar-os-portugueses/
[3] http://blog.softwarelivre.sapo.pt/2007/04/15/cd-sl-nas-escolas/
Sobre a ANSOL
A Associação Nacional para o Software Livre é uma associação portuguesa sem fins lucrativos que tem como fim a divulgação, promoção, desenvolvimento, investigação e estudo da Informática Livre e das suas repercussões sociais, políticas, filosóficas, culturais, técnicas e científicas.
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Artigo relacionado: Finalmente os detalhes do Acordo Microsoft
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Temas: Governo, Lock-in, Monopolsoft, PRESS RELEASE ANSOL



[...] Governo e Microsoft: mas que casamento é este e porque raio tenho de pagar o copo de água?!?!?!? por Rui Seabra [...]
Estou a tentar “mover” as ferramentas de trabalho para o open source: ubunutu,gimp,openoffice,ufraw.
Com tempo quero acreditar que vou deixar de ser uma vitima deste monopólio.
Realmente não se compreende um desgoverno destes.
Mais uma vez o nosso (des)governo baixa as calcinhas…
[...] press-release da ANSOL, neste artigo apropriadamente e sugestivamente entitulado “Governo e Microsoft: mas que casamento é este e porque raio tenho de pagar o copo de água?!?!?!?“: A parte do “Programa Novas Oportunidades” apresentada hoje pelo Governo simboliza [...]
Bom Não me parece que uma empresa “a microsoft” “oferecendo” os 240 e-lernings vá cobrar as licenças , senão não estava a oferecer nada , estava a vender .
Sérgio: se leres bem o press release verás que dizemos:
Contudo, a Microsoft normalmente não oferece o Office.
Bem a resposta é muito simples.
Ha muitos interesses infiltrados destas empresas (big players) quer no governo, quer no estado em geral.
É incompreensivel como certas empresas aparecem do nada com propostas fantasticas, quentinhas e acabadinhas de sair do forno, ganhando repetidamente os concursos publicos (quando existem).
Em certas areas os nomes e as tecnologias são sempre os mesmos.
Reparem que em certos projectos, o governo portugues não olha praticamente a quaisquer custos. Windows Vista? O licenciamento custa muito, mas é bonito e mais importante, é da microsoft, por isso é já a seguir.
No fundo vivemos num estado que possui uma grande ignorancia tecnologica a nivel governativo, aliado aos compadrios do costume. É muito grave.
E essas empresas usam o proverbial “quem não tem cão, caça com gato”.
Como já fui criticado anteriormente, não me importo de o ser novamente.
Como dizia o Outro: “… Orgulhosamente só!”. Mas pelos vistos até não. Estou a vêr que há mais gente que consegue vêr e ouvir além dos discursos para criancinhhas e mentecaptos, de que o governo (mais desgoverno ou melhor “governanço”) nos inunda diariamente.
Será que ao Eng.º foi assegurado um cargo na Microsoft como consultor, Independente?
Meus caros este é um dos casos que mereciam mais destaque nos meios de comunicação. A informação é tudo, já dizia o Sr. Eng.º, divulguem isto.
Fizeram, e bem, as contas ao software… agora juntem as contas ao Hardware que aparentemente fica totalmente para uma empresa “amiga” do Governo e (sem concurso) a total ignorância para o pouco que ainda se vai tentando fazer a nível de produção/assemblagem de marcas nacionais… vamos pagar para dar emprego a chineses que se “enchem” a produzir mais 240k portáteis… e por cá, vou enviar o m/ pessoal da assemblagem para os cursos da treta de formação profissional pois não tenho trabalho para lhes dar na linha de assemblagem.
Mas certamente isto não conta para NADA. O “brilharete” da oferta grátis é que conta. Deipois queixam-se que os empresários fogem com o seu pouco dinheiro daqui para fora. Pudera!
Parece que quem paga o hardware é o operador que fornecer a banda larga (ou ja o pagou aquando do pagamento da licença UMTS) e a benevolente Microsoft cobra apenas (!!!) 10% da licença. Assim sendo sao só (!!!) uns 9 milhoes de euros.
Enfim.. davam jeito em qualquer ala pediátrica de um qualquer hospital do país… digo eu…
[...] Governo e Microsoft: mas que casamento é este e porque raio tenho de pagar o copo de água?!?!?!? [...]
[...] relação “previligiada” entre a Microsoft e o Governo de Portugal deixa-me preocupado, por diversos motivos. Em [...]
[...] O governo nunca teria desculpas para não investir nisso, para mais agora que o Sr. Dr. Arqueólogo Mário “Indy” Lino esteve a fazer investigações para os terrenos tenebrosos da Margem Sul e descobriu o até agora desconhecido Deserto do Seixal, e uma vez que o governo tem dinheiro para gastar. [...]
[...] Em http://blog.softwarelivre.sapo.pt/2007/06/05/que-casamento-e-este/ [...]
Será que o PR e o PM já leram isto? Ainda não devem ter percebido que se anularem o acordo e tratarem já de promover (perdão, implementar!) o open-source na função pública, ainda assim ficam a lucrar e vão poder aproveitar o dinheiro para investir em algo importante. Além do mais, não precisam de comprar equipamento novo porque já o têm, não é…